Crise Financeira - BCE baixa a taxa de juro em 0,5%

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Banco Central Europeu anunciou hoje (4ª-Feira) uma descida de 0,5% nas taxas de Juro.

Trata-se de uma acção concertada de vários bancos centrais, entre os quais o Banco Central Europeu, do Banco de Inglaterra, do Banco Central Americano, entre outros, para fazer face à crise actual dos mercados financeiros.

Não é mais que um pequeno balão de oxigénio que permite adiar o último suspiro de monstro moribundo, que é o sistema económico capitalista alicerçado na especulação não produtiva.

Ninguém se iluda porque a crise dos mercados financeiros vai continuar, mesmo que eventualmente as taxas voltem a baixar.

Sendo esta crise, uma crise profunda de desconfiança alimentada pela natureza especulativa dos mercados, o monstro não tem mais por onde se alimentar.

A origem é bem conhecida, a especulação imobiliária e os mecanismos apelativos do crédito fácil, tornou coloridos os caprichos mais requintados de muita gente.

Apesar de garantidos, os retornos do crédito expandem-se pelo menos por uma geração, o que provoca a falta de liquidez imediata.

E, como estes agentes, selváticos especuladores gostam de jogar a roleta do maldito do dinheiro, têm dificuldades abstrair-se por muito tempo do seu odor.

Deste modo, aqui d'el rei que o estado deve dar cobertura e nacionalizar os bancos que estejam em perigo iminente de falência, o estado deve regular os mercados, o estado isto, o estado aquilo, etc.

Não se pense que este discurso é de um qualquer defensor excêntrico, da regulação da economia centralizada no estado, não, este é o discurso daqueles que sempre defenderam uma menor intervenção do estado e uma maior liberalização da economia, no ponto óptimo, sem qualquer intervenção estatizante.

A grande virtude das economias de mercado é assim de forma irremediável, atirada para os velhos manuais de Keynes. É evidente que o mercado especulativo não tem capacidade para se auto-regular pondo a descoberto a intocável "Lei da oferta e da procura".

O colapso financeiro de muitas instituições de crédito, tem muito que ver ironicamente, com o mesmo colapso financeiro que atinge as famílias portuguesas, vítimas da sua própria ganância e da retracção óbvia do consumo.

As causas são as mais diversas, desde a gestão danosa dos bancos (veja-se exemplo do BCP e de alguns bancos norte americanos) ao subprime, que é um crédito à habitação de alto risco que se destina a uma fatia da população com rendimentos mais baixos e uma situação económica mais instável. A única garantia exigida nestes empréstimos é o imóvel.

Qualquer situação de recessão económica tem repercussões à escala global, esta é a dura prova pela qual passa o conceito grosseiro da globalização.

As implicações são fáceis de prever na chamada economia real. Com o aumento de desemprego e com a diminuição do rendimento disponível das famílias, também por cá será de esperar situações sociais de grande drama, que nem a baixa nas taxas de juro aliviará.

No entanto no meio desta crise certamente que alguém vai cinicamente validando o principio :

"Na natureza nada se perde, tudo se transforma".

Estabelecendo o paralelismo com a situação de crise actual:

"No «Black Jack» financeiro nada se perde, tudo vai mudando de mãos".

E é assim nesta dança de corridinho, que o impávido sedentário vai assistindo, bem instalado no aconchego do seu (ainda) lar, à inexorável agonia do "monstro das patacas".


PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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