Ossétia do Sul - Novo conflito que emerge às portas da Europa

sábado, 9 de agosto de 2008


A geografia da Geórgia divide-se em três partes distintas: a norte e a sul é montanhoso, incluindo, a norte, a vertente sul do Grande Cáucaso, e a sul parte do Pequeno Cáucaso e os primeiros contrafortes das montanhas da Arménia e da Anatólia; ao centro estende-se um amplo vale que toma o cariz de planície costeira junto ao litoral do mar Negro.



Na Antiguidade, gregos, persas e romanos invadem a região sucessivamente. Os romanos introduzem a religião cristã em 337. Mais tarde, o território torna-se foco de disputas entre o Império Persa e o Império Bizantino. Depois cai em poder dos árabes, em 654, quando um emirado muçulmano é estabelecido em Tbilisi, a capital.

Os georgianos recuperam a independência e atingem o apogeu de sua cultura entre os séculos VIII e XIII, sob a dinastia Bagratuna, fundadora de um Império que se estende do Azerbaidjão à Turquia. A invasão mongol, em 1386, põe fim à Idade de Ouro georgiana...

Em 1453, a tomada de Constantinopla (capital do Império Bizantino) pelos turcos isola a Geórgia do mundo cristão. Nos três séculos posteriores, o país sofre repetidas invasões de turcos e persas, até que, em 1783, se submete ao Império Russo. Os russos anexam a Geórgia no século XIX...

Dominada pelas altas montanhas do Cáucaso, a Geórgia tem a maior parte de seu território coberta por florestas. Em férteis planícies cultiva frutas cítricas, vinhas e chá.

Rico em recursos minerais, o país possui importantes indústrias metalúrgicas e reservas de petróleo ainda inexploradas. A sua economia tem sido abalada por conflitos internos desde a sua independência que se seguiu ao colapso da antiga União Soviética, em 1991...

A Geórgia é um importante ponto estratégico que faz a ponte entre a Rússia, A Europa Ocidental, o Médio Oriente e a Ásia , é por lá que passam os gasodutos e os oleodutos que transportam gás natural e petróleo desde o Médio Oriente para a Europa e Rússia.

No seu território têm surgido problemas com o separatismo :




Ossétia do Sul - Os Ossetas são um povo de origem persa, dividido entre a Federação Russa e a Geórgia durante o regime Estalinista (1924-1953). Em 1990, a Ossétia do Sul declara a independência, primeiro passo para integrar-se à república russa da Ossétia do Norte. A Geórgia torna-se independente da URSS em 1991 e lança uma ofensiva militar contra os Ossetas. Os choques terminam depois da mediação da Federação Russa, em 1992, e da criação de uma força de paz integrada por Russos, Ossetas e Georgianos. A comunidade Internacional nunca reconheceu o estatuto de Estado Independente à Ossétia do Sul e o recente ataque da força aérea Georgiana às posições das forças de paz Russas, tende a agravar o conflito com os Russos.



Abecásia - Habitada por maioria de etnia abecásia até os anos trinta, quando José Estaline envia para a região milhares de georgianos. A Geórgia não reconhece o movimento separatista dos abecásios, alegando que são minoria (18%). Mas os rebeldes criam a República Autónoma da Abecásia, em 1992, o que dá início aos conflitos. Um cessar-fogo é alcançado em 1993, seguido do envio de uma força de paz da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e de uma missão de observadores da ONU em 1994. Mesmo assim há frequentes irrupções de violência. Em outubro de 1999, o governo abecásio promove um referendo sobre a independência, que obtém 97% de apoio, mas não é reconhecido pela Geórgia. A ONU e a Federação Russa prorrogam a sua permanência na área.


Fonte : Adaptado a partir da Wikipédia


PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR



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Assalto ao BES de Campolide

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Desfecho final para os sequestradores do assalto falhado ao BES de Campolide - Lisboa

este vídeo foi gravado a partir de uma câmara de telemóvel e é observável a extrema perícia do atirador do GOE.


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Olho de Lince - Rua de São José (Santa Maria de Lamas)


Travessia para pigmeus



Em Santa Maria de Lamas, terra de vaidades, televisões gigantes, campos de golfe, rotundas, passeios descomunais, pó de cortiça, progresso e desenvolvimento urbanístico, os populares são brindados com esta preciosidade arquitectónica, na Rua de São José.





Este apêndice varandil encontra-se 50cm (+/-), dentro do passeio e apenas a 1,30/1,40 m de altura.

Possivelmente o arquitecto que aprovou e licenciou esta aberração deveria ter menos de 1,30m de altura, bem sei, que no passado as estatísticas provaram que a altura média dos portugueses era baixa, mas que raio! ainda não somos todos anões, com todo o respeito para os que sofrem de nanismo.

As pessoas que por ali passam têm que ter muita atenção, principalmente os que têm mais de 1,30 e não têm o hábito de caminhar ajoelhados sem protecção na testa.

Pelo menos podiam sinalizar esta porcaria,de modo que os transeuntes mais incautos ou distraídos pudessem desviar-se a tempo de lá enfiar o coco, em alternativa, forrem os vértices e as arestas com algum material mais macio.
Já algumas pessoas ali viram passarinhos e estrelas, oxalá nenhuma venha a ver o paraíso!



PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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Abertura dos Jogos Olimpicos - Pequim 2008


13h 08m - Aí está a abertura oficial das XXIX Olimpíadas da era moderna

PEQUIM 2008



Apesar de toda a polémica (esta edição olímpica ficará desde logo manchada com o sangue dos monges tibetanos) gerada ao longo dos últimos meses, com o desrespeito ancestral pelos direitos humanos na China, arrancam oficialmente as 29ªs Olimpíadas da era moderna.

Espera-se uma abertura com grande pompa e circunstância, elevando a capacidade de realização dos chineses, projectando a sua cultura e ignorando os sucessivos atropelos à liberdade e ao respeito pelos direitos humanos.

Espera-se da enorme representação Portuguesa, a maior de sempre, uma prestação condigna e mais brilhante do que em Atenas 2004, onde muitos atletas deram o máximo para conseguir os mínimos e depois não foram capazes de dar o mínimo para obter os máximos.

O atleta do triplo salto Nélson Évora será o porta-estandarte Português na cerimónia de abertura.

Naíde Gomes, Vanessa Fernandes e Nélson Évora são os atletas de quem se espera melhores prestações e até quem sabe medalhas.

É enorme o leque de modalidades onde teremos participantes, curiosamente não teremos a presença de nenhuma equipa em modalidades colectivas.

Boa sorte para todos e que seja o desporto nacional a ficar dignificado.

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Viagem Medieval em Terras de Santa Maria (capitulo 3º)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


Viagem Medieval 2008 - Santa Maria da Feira


Capitulo 3º - Politica



Este tomo será dedicado à relação existente entre a política, os políticos do reino e a Viagem Medieval.

Como todos são quase capazes de reconhecer (especialmente os próprios) este evento é de primaz importância para as mais altas patentes políticas cá do burgo.

Houve inclusive, fidalgos e nobres infiéis que passaram algum tempo a estagiar para este majestoso evento. É importante não fazer má figura, principalmente no ano que precede a eleição das cortes.

A "lenda do milagre das rosas", facto histórico predominante nesta edição da Viagem Medieval, tem sido habilmente aproveitado pelos "infiéis", para tentar captar apoios para as suas nobres(???) causas.

Há quem se lamente deste oportunismo histórico, no entanto, é inquestionável que o corolário desta empreitada será o sacrifício do "azeite" aos deuses pagãos, não faltarão por certo, entre os correlegionários desta seita, quem se prontifique para realizar as exéquias fúnebres de tão macabro sacrifício.

Quanto à realeza, tal como sempre, este é o evento que faz as delícias porcinantes do povo, trajados a rigor lá vão acenando aos seus súbditos contemplando a sua orgulhosa veneração.
Nos decrépitos cofres reais, sempre existe um fundo falso, para fazer face às indigências do povo.

É uma questão de estabelecer prioridades :

Se o povo não tem latrinas, o povo não se importa.
Se o povo não tem "carne de porco para comer", bem aí a conversa já é outra...portanto o investimento real é justificado e assenta principalmente, na rede de promiscuidades existentes entre as cortes e a fidalgaria.

Outra extraordinária realização dos reinantes, é disponibilizar carroças para os plebeus de fora do reino, deixando os seus súbditos despojados de qualquer transporte dignificante que não sejam os andarilhos. Os pobres da periferia do burgo estão demasiado "leprosos" para se puderem juntar ao festim, além disso não carregam consigo aquilo que é mais importante - "uns dinheiros"!

O Castelo, ex-libris e fortaleza do burgo, que já não é pertença do rei, muito menos do reino, foi concessionado à "Grande Loja da Comissão de Vigilância", que bom proveito tem tirado desta espécie de parceria entre o reino e a Ordem Militar dos Cavaleiros Templários (entidade privada).

O esquema é simples:

A Grande Loja da Comissão de Vigilância, faz a manutenção do Castelo, através de subsídios do IPPAR e depois faz o arrendamento ao reino, em troca de avultados "dinheiros".
Não se pense que aqui existe algum breu, coisa típica da idade das trevas, tudo normal...

É o comensalismo elevado à sua exponenciação máxima!

O reino beneficia do espaço para as suas inúmeras realizações "caviarescas" e a Grande Loja beneficia das mais -valias retiradas do aluguer do castelo.

O Grão-Mestre da ordem, Ludge Heros, despojado recentemente da Távola Redonda, faria a ponte entre os magos do reino e os feitiços do povo, das brumas nevoeirentas romperiam os projectos âncora para a expansão do "Europark Arena", trazendo com esta iniciativa muito emprego e muita riqueza para o reino.

Finalmente, do alto da abadia da Piedade, o filosofal Anti Heros, que transforma em verde por fora e vermelho por dentro tudo o que toca, vai resignando, impávido e sereno, à vontade popular.

Outros figurantes políticos, que têm andado mais ou menos discretos, também procuram tirar partido da coisa medieval, o problema é que dizer mal do cenário que os reinantes montaram para o povo, é o mesmo que cavar a própria sepultura, o povo vai vegetando enquanto se deliciar com as plumas porcinas.

Portanto, a estratégia é ir utilizando a técnica guerreira do quadrado e esperar que o peixe caia todo nas malhas das lixeiras, até que não é mal pensado! - o lixo é imagem de marca de tudo o que é medieval.

PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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Promoção da cortiça


Campanha de promoção da cortiça
Enviado por



Caros Amigos da Cortiça,



No sentido de promover os produtos de cortiça e defender a cortiça natural como recurso único no mundo, foi lançada uma campanha internacional de marketing e publicidade denominada Save Miguel.

Não sendo aparentemente óbvio quem é o Miguel, personagem central desta campanha, algumas coisas são já claras.



Sabemos que ele:

- protege inúmeras espécies de animais e plantas - apoia na prevenção de fogos florestais - ajuda mais de 100 000 pessoas em vários países - gosta de viver em Portugal; mas também é visto frequentemente em Espanha e – imagine-se – até na Austrália!

A verdadeira identidade do Miguel vai ser revelada muito em breve – e um conhecido actor de Hollywood, Rob Schneider, vai ajudar-nos imenso nesta missão.

Até lá, aceda a www.savemiguel.com e assista à antevisão deste “filme”.

O Miguel não pede muito, apenas que divulgue este website entre todos os seus amigos e familiares. Assim, podemos retribuir um pouco do muito que o Miguel tem feito por nós.

Os montados de sobro portugueses fixam

4.8 milhões de toneladas de carbono por ano.


Escolha a cortiça, defenda o ambiente.



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Descoberto o primeiro lago fora da Terra

quarta-feira, 6 de agosto de 2008



Saturno: cientistas descobriram lagos de etano em estado líquido
na lua de Titã



Imagem artística do Ontario Lacus, um enorme lago no pólo sul de Titã, a maior lua de Saturno.
Créditos: NASA/JPL



Cientistas confirmam que existem lagos em Titã, uma das luas de Saturno, que contêm hidrocarbonetos no estado líquido. As observações foram feitas pela sonda internacional Cassini.

“Esta descoberta faz de Titã o único corpo conhecido do nosso sistema solar que, para além da Terra, tem líquido na sua superfície”, diz a NASA.

O Laboratório de Propulsão por Jacto (JPL) da NASA gere a missão Cassini que está a explorar Saturno, os seus anéis e as luas. "Os cientistas identificaram positivamente a presença de etano", lê-se no comunicado da JPL.

A lua tem 5150 quilómetros de diâmetro, é o segundo maior satélite do sistema solar e é maior do que Mercúrio. A temperatura média do ar é de aproximadamente 180 graus célsius negativos. Pensava-se que a lua estava coberta por um enorme oceano de hidrocarbonetos, que a temperaturas tão baixas poderiam existir em estado líquido e gasoso.

Mas a Cassini, que já efectuou mais de 40 passagens sobre Titã, provou que não existe um oceano global. Os registos geográficos mostravam que a superfície estava coberta por aquilo que pareciam ser inúmeros lagos escuros. Até agora não se sabia se estas depressões eram líquidas ou formações rochosas muito escuras.

“Esta é a primeira observação que realmente conclui que Titã tem lagos de superfície cheios de líquidos”, disse Bob Brown da Universidade do Arizona, em Tucson. O cientista é quem coordena a equipa técnica que controla os instrumentos da Cassini que observam e mapeiam Titã.

O lago ficou com o nome de Ontario Lacus, situa-se na região polar, no sul do satélite e mede cerca de 20.000 quilómetros quadrados. Os instrumentos identificaram os compostos químicos do lago através da forma como estes compostos absorvem e reflectem a luz infravermelha.

A atmosfera de Titã é 95 por cento de azoto, e o resto é metano. A luz do sol faz com que o metano seja degradado em etano e outros hidrocarbonetos que podem estar em estado líquido. Existem muitas evidências de um ciclo de evaporação, chuva e canais formados pelo escoamento destes líquidos que acabam por formar lagos na superfície.

“Durante os próximos anos, os vastos sistemas de lagos e mares do pólo norte de Titã que estão mapeados com o radar da Cassini vão emergir da escuridão polar para a luz, oferecendo aos instrumentos muitas oportunidades para observar as alterações sazonais dos lagos”, disse Larry Soderblom, um cientista do “U.S, Geological Survey” em Flagstaff no Arizona, que também está a trabalhar com a Cassini.


A Cassini foi lançada em 1997, chegou a Saturno em meados de 2004 depois de percorrer 3,5 mil milhões de quilómetros. A missão é um projecto da NASA em parceria com as agências espaciais da Europa e da Itália. Os resultados descobertos vão ser publicados hoje na revista científica “Nature”.



Sonda Cassini


Fonte: Jornal "O Público"



PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR

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Incursão pela Viagem Medieval



Viagem Medieval - Edição 2008

O Feira das Comendas fez uma incursão pela Viagem Medieval, edição 2008, que decorre em Santa Maria da Feira até ao próximo dia 10.
Este evento vai marcando o pulsar do quotidiano feirense, nestes primeiros dias de Agosto e como tal, o Blog não se poderia alhear de tão importante acontecimento.



Este ano o espaço da viagem está mais alargado, construiu-se uma nova arena para os torneios de cavaleiros, com uma maior dotação de lugares, o que permitiu que o anterior espaço onde se disputavam as justas medievais pudesse ser explorado por mais barraquinhas que servem "porco assado".

Confesso que não as contei, mas qualquer dia haverá lugar para todas as associações do concelho e assim acaba-se a ciumeira doentia entre elas.

O espaço frontal à entrada do Convento dos Lóios tornou-se igualmente num novo espaço.
É aqui que se tem feito a representação da lenda do "milagre das rosas", que é o motivo histórico de referência para a corrente edição.

Novidade é igualmente, a abertura da Quinta do Castelo à exploração da viagem medieval, quando escrevo exploração é mesmo no sentido económico senão atente-se na imagem do cartaz
promocional.





Este novo espaço deve estar inserido em alguma campanha de Marketing das Termas de São Jorge, o que já não é admissível é que no cartaz se faça alusão aos banhos públicos como espaços gratuitos, comunitários e de convívio, na época romana e árabe e depois na época medieval (Séc. XXI), se queira cobrar 2€ para molhar os pés, curiosamente a mim só me cobravam 1,5 €, mas não tinha direito a massagens.

A recepcionista foi de uma gentileza persuasiva inexcedível, ao ponto de eu declinar de imediato qualquer tentativa de me fazer pagar um cêntimo que fosse para ali entrar.

Notável é também, o sentido económico de quem ali faz negócio, não se pode exagerar nos mimos aquíferos sob pena de não haver tempo de tomar o chá, o cliente tem apenas vinte minutos para saborear aquele prazer idílico que é o banho pulverizado nas pernas, não sei se com água das Caldas se com água do pequeno lago que ali existe, resumindo 10 cêntimos por minuto.

Naturalmente que face a esta proposta só poderia fazer uma coisa: esticar o dedo-pilas e dobrar todos os outros.

O Castelo presumivelmente estaria muito animado, e apenas presumo porque não estava com disposição para pagar 10 € à entrada, ainda por cima sem direito a ceia medieval, fiquei mesmo da parte de fora em interessante cavaqueira com um Cavaleiro da Ordem dos Templários, felizmente àquela hora não era preciso pagar nada, porque se fosse de dia pagava mais 3 €.



Na mata das Guimbras para além dos habituais acampamentos dos animadores da viagem, este ano existem mais dois espaços lúdicos, presumo que direccionados aos mais jovens, a Floresta Encantada e o Feitiço da Coruja, dinamizado pelo Zoo de Lourosa.
As entradas custam 2 € e 1,5 € respectivamente.

Significa tudo isto que a Viagem Medieval perdeu todos os traços de índole cultural (se é que alguma vez os teve) e transformou-se num imenso negócio, onde tudo é pago e com tendência clara para alargar o âmbito dos negócios.

Veja-se a loja de vestuário oficial que despojou do moinho o fazedor de fogaça, que durante alguns anos se esforçou por explicar, à imensa multidão que por ali passava, a origem, os ingredientes e a arte de bem fazer fogaça, que era o elemento mais típico da tradição Feirense mas, que poderá brevemente, vir a ser ultrapassado, pela arte de bem confeccionar carne de porco, nem que se invente uma qualquer desgraçada maleita para dar crédito à coisa.

A animação que se vai fazendo pelas ruas, só serve para entreter as pessoas que esperam avidamente por um fêvera no pão ou um copo de sangria, é preciso segurar o consumidor com qualquer coisa, as gaitas-de-foles, bombos, cuspidores de fogo e andarilhos são óptimos "entretainers".

Outro pormenor interessante deste ano foi a colocação de portas abertas em todas as entradas periféricas à zona onde se desenrolam as actividades medievais, será uma espécie de ensaio geral para no futuro se tornar a viagem medieval semelhante ao Carnaval de Ovar, ou seja paga?
A ideia não é original e até pode ser que venha a vingar.

Verdade, verdadeira é que havia por lá muita gente, aqui a crise não parece ter afectado ainda o espírito medieval da viagem (o negócio), não sei se é uma causa circunstancial ou se é uma consequência da tradição.



PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR

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Viagem Medieval em Terras de Santa Maria (capitulo 2º)

terça-feira, 5 de agosto de 2008


Viagem Medieval 2008 - Santa Maria da Feira


Capitulo 2º - Cultura


Tal como o prometido, irei debruçar-me de forma ligeira nos aspectos culturais que têm definido a Viagem medieval ao longo dos tempos.

Desde logo, e à semelhança das edições anteriores , a edição 2008 da viagem medieval tem como referência histórica, a sugestiva lenda do milagre das rosas protagonizada por D.Isabel, mulher do nosso rei D.Dinis, que por ser muito amiga dos pobres veio depois a ser canonizada pelo Vaticano e reconhecida pelo povo, como "Rainha Santa", desde então ficou também com o titulo de "padroeira de Portugal".

Dado o mote principal do evento, vou destacar a "cultura da fêvera" como espectáculo cultural de excelência, permitindo uma envolvência e interacção únicas entre o público, os actores e os figurantes, pode haver quem não consiga descortinar cultura na "fêvera", mas para mim é mesmo isso que o sábio povo quer , e como a cultura é a alma do povo, está tudo dito...

Outro aspecto importante são os grupos itinerantes de música celta/galaico/leonesa, com um som muito característico marcado pelas gaitas de foles e que animam de forma ininterrupta a ambiência do local.

As justas medievais, criadas com o intuito claro de separar a plebe dos nobres da corte. É a forma mais vip da aristocracia do reino poder interagir com todo o evento, desde que a indumentária esteja a condizer e possuam uns "dinheiros" no bolso.

Outra majestosa realização cultural são as ceias medievais, onde só alguns nobres e a realeza podem participar e mesmo esses enchem o pandulho por conta do reino.
65 Euros é o preço a pagar e diga-se que não tem nada de medieval, é até, bem avançado para o tempo que vivemos.

A cultura do esgoto é outra importante realização no reino, e cuja tradição se vai mantendo fiel ao medievalismo, é uma forma impressionista de cultura suburbana.

A falcoaria, outrora disciplina rainha na arte da caça, é uma das atracções dos visitantes, tudo não passa de um espectáculo circense, para gáudio do público que presencia as deprimentes exibições dos tratadores com os animais, resta dizer que este tipo de cultura ainda subsiste no Cazaquistão e os revivalistas cá do sitio teimam em expor os animais, a condições pouco dignas e desconfortáveis.

Para não pensarem que eu só digo mal da viagem medieval, vou fazer referência às diversas associações culturais cá do reino e que têm um importantíssimo papel de relevo, na promoção da cultura em Terras de Santa Maria.

O CIRAC tem-se dedicado nos últimos anos a fazer exposições de técnicas de tortura usadas na idade das trevas, que é com quem diz, uma espécie de ensaio da realeza Feirense para com os seus súbditos plebeus.

O Orfeão da Feira dedicou-se o ano inteiro à jardinagem nas rotundas do califado, de maneira a poder contribuir com os produtos da sua safra (rosas e azeite), para a recriação da lenda protagonizada pela rainha Santa Isabel, "o milagre das rosas", o azeite que conseguiram obter, terá como destino o biocombustível, isto é, irá servir como fonte de iluminação experimental durante um ano, o objectivo é iluminar o caminho tenebroso do seu cangalheiro-mor até ao cemitério e posteriormente enfeitar as sepulturas com as rosas excedentárias da lenda de Santa Isabel.

Outras associações que poderiam representar de forma ímpar a cultura Feirense, sentem-se presas pela falta de mão-de-obra, a razão é simples , os seus elementos estão todos mobilizados para o festival de degustação de carne porcina, pelo que mais não lhes pode ser exigido, sob pena de comprometerem de forma irremediável o seu orçamento até à próxima viagem medieval.

Portanto, como se percebe, cultura e recriação histórica também é coisa que não falta neste evento.

PS: (continua)



PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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Mudam-se os tempos inverte-se a carga

Tomei esta imagem emprestada ao "Ai o Camandro" e não resisto a publicá-la.


Mudam-se os preços... muda-se a carga.




PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR

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Viagem Medieval em Terras de Santa Maria (capitulo 1º)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008


Viagem Medieval 2008 - Santa Maria da Feira


Capitulo 1º - Gastronomia



Abriu na passada sexta-feira, dia 31 de Julho e decorrerá até ao próximo dia 10 de Agosto, mais uma edição da Viagem Medieval em Terras de Santa Maria.

Este evento é considerado orgulhosamente, pelas gentes locais, como o maior certame gastronómico nacional de degustação de carne porcina.

Não se pense que o epíteto tem um cariz redutor, nada disso! pelo contrário é uma concorrência desenfreada entre os diversos mestres desta arte culinária, no sentido de dar satisfação e requinte aos milhares de pessoas que procuram esta iguaria.

A arte de confeccionar a carne porcina é muito complexa e não se coaduna com receitas mais ou menos elaboradas de circunstância, é uma espécie de segredo dos Deuses, onde cada um à sua maneira, procura preservar o seu "savoir faire", como se de um tesouro se tratasse.

Antes de mais é preciso trajar umas vestimentas esquisitas, cheirar pior que o queijo da serra e ter um diploma de "boas práticas???", na confecção de alimentos para poder obter uma credencial no espaço da restauração... pronto!... eu sei que para as más práticas não é necessário diploma, mas é uma exigência da organização e tem que ser cumprida.

A carne pode ser servida consoante o gosto do confeccionador, vulgarmente conhecido por porcineiro, assada, carbonizada, crua, incinerada, são apenas algumas das 1001 maneiras de servir carne porcina, e garanto que estes profissionais experientes não conseguem satisfazer a cadência da procura.

Alguns maldizentes cá da praça, dizem que é uma exploração a forma como tudo é tratado, eu cá não sou da mesma opinião, se existe alguma exploração, ela existe naquilo que é exigido aos animais que dão tão sucolenta carne, mas isso é uma outra história para mais tarde ser cá abordada.

Vamos ao que interessa...

Quem tem visitado a viagem medieval com regularidade, ao longo dos anos, já se deu conta que o número de porcineiros (confeccionadores de carne porcina) tem vindo a aumentar de forma gradual e consistente correspondendo assim aos anseios dos organizadores, também eles incondicionais apaniguados da "fêvera". Este ano espera-se para cima de meio milhão de visitantes (muita gente!).

Confesso que sempre fui uma espécie de eremita itinerante deste evento, mas ao contrário dos porcinantes (degustadores de carne porcina), tenho evitado percorrer as zonas de restauração da viagem à idade média, o aroma a carne queimada tresanda no ar, o fumo intoxica e as águas do Cáster combinam tudo isto da forma mais harmoniosa, saneamento com porcaria, porcaria com carne de porco, carne de porco com sangue e depois vai toda a mer..da para o rio, tal como no ciclo da água tudo se vai repetir daqui a alguns dias.

A viagem medieval naturalmente não é só carne porcina (também existe carne de porco, javali, porco-espinho e até já ouvi falar em carne de porquinho da Índia, que tem um sabor parecido com a carne do leitão, desde que alimentados a leite, enfim o visitante tem ao seu dispor um numeroso leque de escolhas.

Existem também as indispensáveis sangrias, bebida muito popular neste espaço medieval e que perdurou, desde tempos imemoriáveis até às prateleiras de alguns supermercados, uma forma muito original de servir tão etílico liquido, mas que faz as delícias dos apreciadores.

Depois é uma panóplia de doçaria das mais recônditas proveniências, desde a península Ibérica até à comunidade marroquina de Sanguêdo, tudo nas mais perfeita simbiose com o colesterol, diabetes e hipertensão, termos muito familiares aos portugueses.

A minha incursão na viagem medieval não se fica pela gastronomia, no próximo capitulo darei primazia às questões culturais, resta dizer que, como sou um aficionado da Viagem Medieval desde o primeiro momento, este ano faço questão de marcar presença em tão importante realização, dando estrito cumprimento à tradição que absorvi através dos anos.


PS: (Continua)


PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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Apifarma preocupada com descida dos preços dos genéricos



A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica mostrou-se, esta segunda-feira, «profundamente perplexa e preocupada» com a descida, em 30 por cento no preço dos medicamentos genéricos.


A Apifarma considera que a descida «apenas aplicada em determinados casos e respeitando faseamentos» poderá «abalar de um modo muito significativo toda a cadeia do medicamento».

«Preocupam-nos muito em especial as empresas nacionais de pendor industrial que têm alavancado o crescimento das exportações portuguesas», refere, em comunicado.

Para a Apifarma, é provável que as consequências aconteçam aos níveis do emprego qualificado, e, em alguns casos, na sua própria viabilidade.

A Apifarma avisa que «medidas deste tipo põem em causa o funcionamento e o equilíbrio de todo o sector do medicamento, condicionando claramente os investimentos e as perspectivas de futuro».

Segundo os laboratórios, não há um aumento geral do preço dos medicamentos há nove anos, apenas duas reduções significativas que incluíram os medicamentos genéricos.

Lembram ainda que os encargos com medicamentos por parte do Estado «se têm mantido estáveis nos últimos três anos».

Fonte: TSF - Rádio Jornal


Comentário do Comendador:

" Não espanta que a entidade máxima na indústria do medicamento em Portugal fique alarmada com a notícia, o director da Apifarma se fizesse um estudo de consulta aos Portugueses, também chegaria à conclusão que os Portugueses compreendem na perfeição o seu alarme.

O negócio do medicamento é um dos mais lucrativos e apetecíveis no país (basta perceber o número de novas farmácias que abriram nos últimos anos) e um dos mais ruinosos para o estado, resultado de politicas irracionais de comparticipação no medicamento aos utentes do SNS, e que consome valores astronómicos do orçamento do ministério da tutela.

Qualquer cidadão vulgar, sem possuir grandes faculdades no desenvolvimento de raciocínios matemáticos, perceberia que era mais vantajoso para o estado e para os bolsos dos portugueses, fornecer gratuitamente alguns medicamentos nas farmácias hospitalares.

A explicação é simples, adquirindo medicamentos em embalagens "industriais", o estado consegue melhores preços de mercado, do que aqueles que os utentes conseguem com a aquisição de embalagens pequenas. Verifica-se em muitos casos que, proporcionalmente, o valor comparticipado pelo estado ao utente é superior ao valor de aquisição do medicamento para as farmácias hospitalares, se juntar-mos à comparticipação estatal a parte que o próprio utente tem que desembolsar, ficamos com o preço ainda mais inflacionado o que do ponto de vista económico é absurdo e irracional.

Então, esta aberração na gestão económica, só é justificável, com a necessidade que muitos agentes do estado têm de alimentar este lobby insaciável, que é o lobby farmacêutico, em prejuízo das contas públicas e dos cidadãos.

A Apifarma faz nesta declaração o papel clássico do patronato, colocando de imediato os trabalhadores qualificados do sector, como escudos humanos numa guerra onde os patrões dos medicamentos não se podem queixar da crise de vendas, inclusive, dada a forte capacidade de produção até conseguem ter um peso de relevância (segundo a Apifarma) nas exportações nacionais, contribuindo para amenizar o défice, na balança das transacções comerciais do país.

Quanto à medida que pretende ser adoptada, com seriedade não consigo perceber o seu alcance, nem sei se se deveria ir mais longe, o que sei é que todas as medidas que tenham por objectivo, moralizar e travar os lucros que são obtidos de forma indecorosa (quase sempre com o conluio da esfera governante) de uns quantos "privilegiados", em benefício de todos os cidadãos, merecem a minha aprovação."


PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR

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Ciência - Confirmada a presença de água em Marte

sábado, 2 de agosto de 2008



A
s análises de laboratório, realizadas na sonda exploradora "Phoenix", confirmaram a existência de água no planeta Marte, informou hoje a NASA.

Temos água" em Marte, afirmou William Boynton, responsável pelo analisador termal da "Phoenix" na Universidade de Arizona. Um comunicado da agência espacial norte-americana, NASA, indica que o braço robótico da sonda depositou na quarta-feira nos seus instrumentos uma amostra de solo na qual foram identificados vapores de água.

Segundo o cientista, esta é a primeira prova concreta e segura da presença do líquido no planeta. Acrescentou que tinham já sido detectados indícios de água congelada em observações feitas pela nave Mars Odyssey e que outros se diluíram ao serem observados pela "Phoenix" no mês passado.

"Mas esta é a primeira vez que é tocada e analisada água marciana", sublinhou numa conferência de imprensa. A amostra em que se confirmou a presença de água foi extraída de uma perfuração de cerca de cinco centímetros no solo marciano onde o braço robótico deparou com uma dura camada de material congelado.

Ao ficar exposta durante dois dias ao ambiente marciano, a água que continha começou a evaporar-se, o que facilitou a sua observação - refere o comunicado. "Marte está a dar-nos algumas surpresas", comentou peter Smith, investigador principal da missão.


A sonda exploratória Phoenix desceu a 25 de Maio na região do pólo norte marciano para uma missão de três meses que terminava em Agosto. Todavia, devido aos êxitos alcançados, a missão foi prolongada até 30 de Setembro. "Como a Phoenix está de boa saúde e também são boas as projecções no que se refere à sua energia solar, queremos aproveitar este recurso num dos pontos mais interessantes do planeta", afirmou Michael Meyer, cientista do programa de exploração de Marte.

Sonda Phoenix


Fonte : Jornal Expresso

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Viagem na Linha do Vouga - Paços de Brandão/Sernada do Vouga


Odisseia de uma viagem

Tempo de férias é também tempo de programar lazer, foi o que fez o Feira das Comendas.

Nada como satisfazer algumas das realizações que já tinha no horizonte desde miúdo, fazer uma viagem no vouguinha até ao fim da linha, que é com quem diz, viajar de comboio até à Sernada do Vouga, local mítico e emblemático na história dos caminhos-de-ferro Portugueses.

100 anos depois da sua inauguração a linha do Vouga continua a ter histórias para contar, infelizmente, já não tem é muitas pessoas com vontade de as continuar a narrar.
Espero que os encenadores responsáveis pela linha férrea ainda estejam longe de ensaiar o seu derradeiro capítulo, que seria a sua morte consumada e respectiva certidão de óbito, já que toda a infraestrutura neste momento, sofre de uma galopante morte lenta.

Uma linha de caminho de ferro não pode estar segura apenas, por uma relação de custo/beneficio em termos económicos, deve ir muito mais além e considerar aspectos sociais, históricos, ambientais, culturais e até de motores de promoção ao desenvolvimento regional alternativo e sustentado...

O tempo convida à viagem, manhã solheira, sem excesso de calor, entrada em Paços de Brandão pelas 09h 42 m, uma das mais belas e ainda bem conservadas estações em toda a linha do Vouga, destino Sernada do Vouga, algures perdida entre montes e vales bem junto do rio que lhe adjectiva o nome.






Rapidamente foi perceptível que este meio de transporte não é muito procurado pelas pessoas, na composição onde me sentei seguiriam talvez uma dúzia de pessoas, paragem em Riomeão, saem duas pessoas e o Vouga lá segue a sua marcha lenta.

Estação de São João de Vêr, aquilo que em tempos terá sido uma estação importante, ainda se pode ver o antigo depósito de água que abastecia as caldeiras do velho vouga a vapor, assente numa estrutura enferrujada pelo tempo, resume-se hoje a um mero apeadeiro, com o edifício da velha estação e espaços em redor pouco zelados.

A velocidade a que o comboio vai desbravando caminho é muito lenta, diria demasiado lenta para não colocar os nervos em franja a quem tem necessidade de se deslocar rapidamente, apesar de tudo é um verdadeiro extâse poder viajar a 30/35 Km/h para quem pretende estar atento a todos os pormenores do percurso.

Aparece o revisor, outrora chamava-lhe pica, que de forma extremanente simpática me perguntou para onde queria o bilhete...
- Queria um bilhete até ao fim da Linha, por favor.
- Onde é o fim da linha? - perguntou-me intrigado o revisor.
- Até à Sernada do Vouga, tentei explicar-lhe o motivo da minha viagem e num gesto de grande bondade convidou-me a fazer a viagem na cabine do maquinista, o que aceitei de imediato agradecendo a generosidade.

Foi bastante interessante o prosseguir da viagem, com o maquinista a entreter-me com algumas, das muitas peripécias mais ou menos hilariantes e caricatas que tem vivido no exercício da sua função.

Só a titulo de exemplo, algures entre Oliveira de Azeméis e Albergaria-a-Velha a refer teve necessidade de colocar umas barreiras reforçadas, junto de uma passagem de nível, já que um morador vizinho, utilizava parte da linha férrea como acesso mais rápido para um campo de cultivo, obrigando muitas vezes à paragem do comboio, porque a linha se encontrava obstruida pela presença de um tractor agricola em cima dos trilhos.

Nas rampas de acesso ao apeadeiro de Macinhata/Travanca, perto da Branca, é normal alguns agricultores, na época da apanha do milho, colocarem os cereais ao longo da plataforma do apeadeiro, não permitindo assim às pessoas, o acesso à entrada ou saída do comboio.

Depois de paragens no apeadeiro do Cavaco e de Sanfins, eis-nos chegados a Santa Maria da Feira, a velha estação da "Vila da Feira" já há muito viveu os seus tempos áureos, sairam mais duas pessoas, talvez atraído pelo espírito da viagem medieval que decorrerá nos próximos dias em Terras de Santa Maria, questionei-me:

- Se na idade média houvesse comboios o "Vouguinha" e a Linha do Vale do Vouga, seriam certamente exemplares genuínos desse tempo.

Prosseguimos viagem... Escapães, Arrifana e São João da Madeira...

Em São João a estação ainda se encontra muito bem conservada, com um jardim e estruturas sanitárias bem zeladas, foi nesta estação que nos cruzamos com um comboio que fazia o percurso inverso em direcção a Espinho.

Faria, Couto de Cucujães (antiga estação completamente em ruinas), Santiago de Riba-Ul, Oliveira de Azeméis.

A estação de Oliveira de Azeméis serve hoje de terminal à maior parte do tráfego ferroviário da Linha do Vouga de e para Espinho.

De Oliveira de Azeméis para a Sernada apenas existem duas composições diárias, e basicamente só se deslocam à Sernada para manutenção, limpeza e reabastecimento de combustível.
É também aqui que apanha boleia o manobrador, um profissional com uma função curiosa na linha do Vale do Vouga, já que é este senhor que fecha as cancelas em todas as passagens de nível com guarda entre Oliveira e a Sernada.





O processo é anedótico, o comboio pára antes da passagem de nível, o manobrador sai e fecha a cancela, o comboio avança e depois pára , o manobrador abre a cancela e depois corre para voltar a apanhar o comboio, extraordinário!!!

Ao todo são 5 as passagens que o manobrador tem que fechar e abrir, isto só se justifica pela a supressão dos postos de trabalho das antigas guardas da linha, que aconteceram com o propósito da contenção de custos da REFER e que se complementam com o progressivo e deplorável estado de abandono a que a linha tem sido votada.

Na verdade, os profissionais já estão tão mecanizados nesta acção, que tudo isto não demora mais que 2 ou 3 minutos.

Curioso também, é o facto de grande parte das passagens de nível sem guarda que se encontram entre Oliveira de Azeméis e Sernada terem sido suprimidas, havendo percursos de estrada toscamente alcatroados e que são paralelos à linha a fazer ligação às passagens que irão ser automatizadas.

Nesta altura reparo que para além dos funcionários da CP, só eu , o meu acompanhante e mais uma pessoa que entrou em Oliveira é que prosseguimos viagem.

De Oliveira de Azeméis para Albergaria, começa de facto, uma verdadeira viagem épica que nos transporta no tempo e na nostalgia, a linha férrea há muito que deixou de ter manutenção, os matagais invadem por completo o traçado, as árvores têm os seus ramos "podados" pela passagem das composições, o balastro da linha quase não se vê, coberto que está de ervas e todo o tipo de vegetação, os trilhos estão bastante oxidados pela pouca frequência de passagem, a velocidade é drasticamente reduzida por questões de segurança, até à Sernada não ultrapassamos os 25 Km/h.

Ul, Travanca/Macinhata, Figueiredo, Pinheiro da Bemposta, Branca são algumas das paragens que até Albergaria nos fariam confundir a Linha do Vouga com o Expresso Transsiberiano, combinando estações fantasma com o romper da taiga Russa.

Albergaria-a-Nova, Urgueiras, Albergaria-a-Velha, a partir daqui começa o percurso mais belo e assombroso da Linha do Vouga, são cerca de 7 Km de serpenteado entre colinas e vales, sempre a descer até à Sernada, existe uma parte do traçado onde é possível ver de um nível superior três partes distintas da linha, realmente fascinante este cenário!

Não compreendo porque não fazem deste troço um percurso turistico, que até podia ser feito com locomotivas a vapor, como acontece na Régua, haja alguma agilidade mental e os turistas aparecem.

Pelo meio temos o Túnel dos Açores, com cerca de 400m, assim chamado, pelo facto de ali perto haver uma povoação com esse nome, vem-nos à memória as lendas e os mitos que tornaram célebres as passagens pelos túneis do metro de paris e finalmente, menos de duas horas (11h 36m) e 52 Km depois chegamos à Sernada do Vouga.

Primeira acção:
Encomendar almoço no pequeno restaurante da estação, (para desenrascar serve) e depois fazer uma visita à zona envolvente.

O museu ferroviário de Macinhata de Vouga é o expoente máximo da nostalgia ferroviária e encontra-se a cerca de 3 Km da Sernada do Vouga o seu acesso pode ser feito de comboio, mas é quase inviável pela inexistência de horários de comboio compatíveis, ir a pé ou à "boleia", são alternativas a considerar, já que não consegui vislumbrar quaisquer meios de transporte público.

Como já conhecia o Museu Ferroviário, optei por ficar nas imediações da Sernada e desfrutar da magnifica paisagem do Rio Vouga, através da ponte rodo-ferroviária que o cruza.

Esta ponte é um extraordinário exemplar da arquitectura e merece que lhe dedique algumas palavras no sentido de lhe atribuir uma pequena história...






Até 1973 era uma ponte muito estreita e servia exclusivamente o tráfego ferroviário, depois foi alargada e passou a servir também os veículos rodoviários. Sempre que o comboio tem necessidade de efectuar manobras ou atravessar a ponte no seu trânsito para o ramal de Aveiro, a ponte é encerrada através de umas correntes que servem de barreira aos automóveis deixando a linha livre, numa e noutra das extremidades da ponte é efectuado um sinal visual aos funcionários que estão à guarda da linha, através de uma placa metálica que é levantada e acenada. Este sinal é feito consoante o comboio se desloca num ou noutro sentido do Ramal de Aveiro.

Na Sernada, para além das antigas oficinas de manutenção e que hoje estão praticamente desactivadas, restam as cocheiras onde estacionavam e eram guardados os comboios, ainda com algumas carruagens Allan dentro.

Do antigo Ramal de Viseu, apenas sobram 30m de carris e uma saudosa imagem do que seria esta viagem, no tempo das locomotivas a vapor, que tinha grande parte do traçado paralelo ao rio Vouga.




Uma velha carruagem rendida à ferrugem, uma Allan que já viveu melhores dias e o comboio Socorro (uma velha Allan adaptada, mas que ainda funciona, como pude constatar) são algumas das recordações que ainda hoje se podem ver, tudo o resto são imagens difusas e angustiantes do movimento de mercadorias e passageiros que outrora por ali passou.
A sensação não é de fácil descrição, mas que nos percorre a alma e nos trespassa as emoções disso não tenho dúvida.

A Sernada do Vouga não se esgota em tristes recordações, vale a pena descer até ao rio e contemplar as águas do Vouga, que nesta parte do seu curso, ainda não se encontram muito poluidas , pelo menos no sentido visual e olfactivo.

Houve algum investimento autárquico recente, que proporciona ao visitante uma zona de lazer com magnificas sombras, com mesas para piquenique e cujas margens permitem acesso directo ao rio e a pequenas extensões de areal. A pesca é também uma actividade perfeitamente possível e muito procurada por aqui, como pude observar.

14h 52m, viagem de regresso, um pouco extenuado pelo cansaço, mas com uma enorme satisfação interior.

16h 44m chegada a Paços de Brandão.

Nota: o preço da viagem por adulto ida/volta de Paços de Brandão são € 8,90.

Mais informações aqui.


PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR

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Férias, finalmente!!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


Finalmente, as férias!



O blog Feira das comendas deseja boas férias para quem ainda as tiver e tenha dinheiro para as gozar.

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  © Feira das Conspirações! - Santa Maria da Feira - Portugal - Maio/2008

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