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Linha do Vouga - Haja memória!

domingo, 6 de dezembro de 2009

No passado dia 23 de Novembro, a linha do Vale do Vouga comemorou o seu 101º aniversário.

Ao contrário do que sucedeu no ano passado, a efeméride deste aniversário passou praticamente despercebida, o que até se compreende 100 anos são  sempre 100 anos e não se comemoram todos os dias.

Claro está que a pompa e circunstância das comemorações do centenário do ano transacto, não se esgotaram em foguetório e festa.

Na altura, anexos às comemorações, foram assinados uma série de protocolos entre a Refer , as autarquias e o governo Português, na pessoa do secretário de estado dos transportes Ana Paula Vitorino e que tinham por objectivo revitalizar a utilização deste meio de transporte, mas mais importante, ficou assente entre todas as partes que seria dado cumprimento ao dec.lei. 568/99 ,com vista à melhoria das condições gerais de atravessamento das passagens de nível desta via férrea, que como se sabe é a linha de caminho de ferro com o mais alto índice de sinistralidade da rede ferroviária nacional.

O protocolo que incide sobre a melhoria da segurança nas passagens de nível prevê cerca de 50 supressões e 50 automatizações tudo num investimento a rondar os 18 milhões de euros. Sendo que no concelho da Feira todas as passagens de nível serão intervencionadas, 18 serão suprimidas, se bem que algumas já estejam desactivadas e outras 18 serão automatizadas, havendo a ainda lugar à construção de duas novas passagens desniveladas, uma em São Paio de Oleiros e outra no Cavaco-Santa Maria da Feira.

Eu recordo aqui que este protocolo é do domínio público (basta procurar na net e encontram lá tudo), pelo que considero patéticas algumas intervenções de alguns neopolíticos distraídos e oportunistas que  há não muito tempo defendiam o encerramento da linha e hoje apresentam-se  à opinião pública como paladinos  acérrimos defensores da linha do Vouga. Ainda recentemente questionavam, na mais completa ignorância, para quando o fim dos trabalhos que estão a ser feitos nas passagens de nível. A resposta é encontrada de duas formas, ou lendo a legislação actualizada que tem por base o dec-lei. 568/99 ou então recorrendo ao protocolo assinado o ano passado, que prevê  a conclusão de todo o plano de requalificação das passagens de nível até finais de 2010.

Eu julgo que as obras decorrem a bom ritmo, pelo que também não entendo porque razão  se diz que os trabalhos estão atrasados, a menos que alguém consiga demonstrar que tecnicamente será impossível concluir todo o plano de obras durante 2010, isto sem prejuízo de eu entender que esta obra já deveria ter sido feita há décadas.
O cumprimento deste plano será a maior revolução jamais operada em termos de segurança nesta linha.
Este será o plano mais ambicioso e porque não dizê-lo o único plano que nos últimos 100 anos se fez com vista a melhorar as condições de segurança da linha do Vouga.

Esta linha, tal como quase todas as outras que existem em Portugal, foi coverde e convenientemente esquecida, quer por governantes, quer por autarcas, quer por políticos em geral, durante décadas. Portanto, tentar explorar agora a possibilidade de retirar dividendos políticos, duma situação que está dentro daquilo que foi estabelecido é no mínimo falta de honestidade politica, termo muito em voga  e que faz escola teórica no discurso e na escrita de muito boa??? gente.

Outra questão que me faz confusão é afirmar que os atrasos se devem a questões ligadas com alterações ao ordenamento do território. O que poderá estar a acontecer e acontece mesmo, é que os acordos para a cedência de terrenos que irão constituir os caminhos alternativos à supressão de algumas passagens de nível, não estarão a ser fáceis de negociar, pelo que em última instância e caso não haja acordo, as autarquias terão que recorrer à expropriação dos terrenos. No entanto, não me parece que isto possa mexer muito com os mecanismos de ordenamento do território, tanto mais que a maioria dos caminhos alternativos, para não dizer a sua totalidade serão construídos paralelamente à via férrea, em parcelas de terrenos que até pertencem à Refer, sendo residuais os casos em que haverá efectivamente um choque de interesses com os proprietários dos terrenos, esta resilência não significa porém, que aos proprietários afectados não assista legitimidade na defesa dos seus interesses.

A questão dos despedimentos dos trabalhadores que alegadamente trabalham na reestruturação da linha.
Era importante que se fosse mais objectivo nesta denúncia:

Primeiro porque a única reestruturação que existe na linha, se é que existe, é entre Arrifana e a Z.I. do Orreiro em São João da Madeira, ao abrigo do protocolo que cria o plano de introdução de comboios frequentes no troço de linha que delimita o concelho de S.J.Madeira,.

O que eu conheço, com excepção do caso referido e mesmo aí não sei se a linha será reestruturada, ou apenas serão as infraestruturas de apoio aos passageiros,  não existe nenhuma reestruturação da linha, o que existe é um plano que está ser executado, o de requalificação das passagens de nível.

Na linha quanto muito, faz-se algumas obras de limpeza e manutenção. Esta bem que precisava de obras de reestruturação, mas por enquanto o que existe são obras de requalificação nas passagens de nível, portanto em conclusão, considero-me uma pessoa atenta às questões da linha do Vouga e já o faço há muito tempo, não fui assolado subitamente, por uma qualquer torrente de demagogia idiota que me soprou ao ouvido um apelo para falar nisto, mas esta questão da reestruturação da linha por enquanto é uma falácia.

Não obstante, a reestruturação completa de toda a infraestrutura terá que ser levada em atenção, o material circulante está degradado, o próprio balastro da linha em muitos troços precisa de obras de estabilização  e consolidação e mesmo uma parte da estrutura férrea dos carris está  obsoleta, conservando ainda a traça original, com mais de 100 anos, o que impede os comboios de circular a uma velocidade mais elevada., apesar de terem potencial técnico para o fazerem. As circulações actualmente existentes poderiam facilmente obter velocidades  da ordem dos 60 Km/h, encurtando em muito o tempo entre estações, só não o fazem por causa da insegurança nas passagens de nível e porque a própria linha não o permite.

Se se referem a despedimentos de trabalhadores que estão a trabalhar na requalificação das passagens de nível, aí com franqueza não sei. O que sei é que a empresa a quem foi adjudicada a obra de automatização eléctrica das passagens de nível é a Alstom. Pelo que tenho podido perceber, a obra será feita por fases, não é possível levar uma obra que esteja a ser feita numa passagem de nível do principio até ao fim. O sistema funciona em cadeia, pelo que será necessário levar a obra por fases em toda a sua extensão e em todas as passagens de nível que serão automatizadas, tal como numa casa, inicialmente é necessário preparar o terreno, depois iniciar a construção de pedreiro, depois trolha, canalizador, electricista,  terminando no decorador. É bem provável que para cada fase do processo seja necessário um tipo de mão de obra especializada diferente. E a ser assim, não excluo a hipótese de alguma empresa subcontratada para determinada fase da obra, após a conclusão da sua empreitada tenha descartado trabalhadores, o que é a todos os títulos condenável.

O que me é dado a perceber, embora desconheça se cada equipa tem um número determinado de passagens de nível onde tem que actuar, é que as equipas  são relativamente pequenas, não mais que 8/10 pessoas.

O que se espera, é que todo o plano de requalificação das passagens de nível, seja concluído dentro dos prazos previstos e que posteriormente, toda a infraestrutura sofra uma intervenção de fundo, desde as infraestruturas de apoio aos passageiros às condições de circulação dos comboios, que permita a revitalização total da via e a torne mais apelativa à utilização por parte das pessoas, só assim serão compreendidos os milhões em  investimentos que actualmente se gastam, ou pretendem gastar na melhoria das condições de segurança.

O comboio deve ser por todos nós defendido, vejam o que aconteceu na linha do Tua, com o encerramento do troço Mirandela/Bragança, o prejuízo que isso acarretou para as populações que por ele eram servidas.
O comboio, ao contrário daquilo que pensam alguns dementes peregrinos cá da nossa praça, também desempenha uma função social importante, para além de ser o único meio de transporte que algumas pessoas têm disponível para se deslocarem, (inclusive, dentro deste concelho da Feira, que é um paradigma da mediocridade em termos de rede de transportes), o comboio também contribui em relativa medida para a dinamização económica das freguesias por onde passa, se hoje não tem um papel tão activo nessa dinâmica em tempos teve, e foi determinante para o desenvolvimento e progresso dessas freguesias. E este facto indesmentível deve fazer apelo à nossa memória colectiva. Além disso, por exemplo, para os utentes de Paços de Brandão e felizmente ainda são alguns que o utilizam diariamente nas suas deslocações, sendo que no Verão serão muitos mais ainda, para estes, como dizia, ainda é o meio de transporte mais rápido e mais económico para se deslocarem à cidade de Espinho e daí para o Porto ou para Aveiro (se não acreditam façam a experiência de automóvel ou de autocarro). Pena é que em Espinho tenhamos assistido impávidos e serenos à amputação de algumas centenas de metros de linha férrea, que muito prejudicou quem quer fazer o interface, com a linha do Norte (Aveiro ou Porto). Essa distância que outrora, tal como hoje poderia estar mesmo ali ao pé, agora terão que ser os pés a calcorrear a insolência e a falta de  respeito que alguns ex-autarcas sempre nutriram pela linha do Vouga e pelos seus utilizadores.

Em conclusão parece-me que só faz sentido tudo isto se o objectivo final for manter a linha do Vale do Vouga em toda a sua extensão, explorando inclusive, as suas potencialidades turísticas tudo numa perspectiva alargada de futuro sem perder de vista aquilo que é a nossa memória colectiva e afectiva ao Vouguinha .

Compete-nos a nós enquanto cidadãos estar atentos e activos se assim tiver que ser, para que a linha não morra. Paços de Brandão deve-lhe muito, está na hora de  a linha lhe exigir algumas contrapartidas. E a linha exige, que os Brandoenses exijam o cumprimento escrupuloso dos prazos estabelecidos,  para a conclusão do plano de requalificação  com a melhoria alargada das condições de segurança nas passagens de nível, quanto mais não seja, pelo respeito à memória de alguns conterrâneos seus,  que pereceram tragicamente em algumas das passagens de nível que existem nesta freguesia, tudo porque nunca ninguém se lembrou ao longo de 100 anos de colocar umas barreiras, uma luz encarnada intermitente ou um simples trinado de campainha que lhes permitisse escapar do seu carrasco. Devemos igualmente pugnar pela defesa dos interesses das pessoas cuja património possa ser colocado em causa, pelos caminhos alternativos à supressão de passagens de nível ( na passagem de nível de Riomaior/Regadas, por exemplo, haverá algumas pessoas que verão os seus terrenos trespassados por uma estrada paralela à linha do comboio, isto merece a nossa atenção e até solidariedade, se é evidente que é necessário assegurar segurança, essa terá sempre um custo, isto não pode é ser feito a qualquer preço.)
Ao actual executivo da Junta de Freguesia também compete fazer alguma coisa pela linha do Vouga, por exemplo, para começar há que limpar a nódoa vergonhosa e irresponsável que foi a postura do ex-presidente da junta em todo este processo que envolve a linha do Vouga, desde as comemorações do centenário, até à discussão dos planos de supressão e requalificação das passagens de nível, em tudo isto esse senhor fez Paços de Brandão passar mal, muito mal mesmo.

A alguns políticos também se exige uma postura de seriedade, porque não é com o oportunismo da ignorância que se livram do ridículo e se credibilizam da idiotice.

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Águeda - Câmara quer transformar a estação da Sernada em hotel ferroviário

quarta-feira, 27 de maio de 2009


A Câmara Municipal de Águeda apresentou uma proposta para transformar a estação ferroviária da Sernada do Vouga em hotel ferroviário, a ideia foi expressa no fórum "Centenário da linha do Vale do Vouga-passado, presente, futuro", que decorreu em Aveiro.

O projecto que ainda não passa de rascunho porque não contempla prazos de execução, insere-se no programa "Museu Vivo" que o município de Águeda pretende desenvolver em Sernada do Vouga aproveitando o espólio ferroviário existente junto ao actual nó ferroviário e que compreende também o espaço oficinal e que poderia dar lugar a uma zona de exposição. No entanto para que isto possa dar passos firmes terá que passar pelo aval da REFER e da CP.
O Município de Águeda pretende ainda a criação do Festival Ferroviário Internacional de Sernada do Vouga e o desenvolvimento da Ecopista do Vouga, entre Sernada do Vouga e Viseu, prolongando-se até Santa Comba Dão. Trata-se do aproveitamento do trilho da antiga linha ferroviária que se encontra desactivada, seguindo o exemplo da autarquia de Sever do Vouga, que já aproveitou para ciclopista parte do antigo troço da linha.
A requalificação dos edifícios e do espaço público de Sernada do Vouga é outra componente do programa "Museu Vivo", que passa ainda pela valorização de praias fluviais e a promoção de desportos radicais e que integra o aproveitamento do espaço ferroviário da Macinhata do Vouga.

A concretizar-se este projecto, parece-me uma ideia feliz por parte da Câmara de Águeda,embora esteja um pouco aquém daquilo que pode ser feito. Se a ideia é requalificar e valorizar o património ferroviário adaptando-o à promoção turística, porque não promover também a utilização num pequeno percurso bem definido de um comboio turístico a vapor? (penso que dadas as variáveis em causa, o facto do comboio ser a vapor não colocaria em desequilibrio a dimensão ecológica que se pretende.)
Ainda existem algumas máquinas no museu ferroviário, que eu julgo poderem estar aptas a percorrer pequenas distâncias na linha, sem colocar em causa , por exemplo, entre a Sernada do Vouga e a Paradela. A ideia pode parecer utópica, mas na minha perspectiva poderia ter viabilidade. O troço que actualmente está desactivado entre a Paradela e Sernada do Vouga é lindíssimo. A linha corre paralela ao rio, num cenário verdejante que se reflecte nas águas cristalinas do Vouga. A linha cruzava o rio na Ponte do Poço de Santiago, com uma paisagem de prender a respiração (desconheço o actual estado de conservação da obra de arte). Os custos até poderão ser de alguma monta, mas estou convencido que se fosse apresentado um projecto de candidatura conjunta de Águeda e Sever do Vouga a fundos comunitários é provável que pudesse ser aprovada, para que é que servem os QREN e a panóplia de fundos comunitários que se destinam a reduzir as assimetrias regionais?
Seria uma forma interessante de promover o eco-turismo que pode ser no futuro, o único suporte de desenvolvimento económico integrado e sustentável dos municípios que sofrem com a interioridade, como é o caso de Águeda e Sever do Vouga, e até numa perspectiva mais abrangente dentro do EDV, porque não envolver Albergaria e outros municípios?
Eu julgo que todas as propostas que tenham subjacentes a ideia de preservar a linha do Vouga são válidas, o seu encerramento puro e simples é que me parece inaceitável e completamente irracional, se tiver-mos em linha de conta as potencialidades ainda por lapidar desta centenária ferrovia.


PUBLICAÇÃO: O COMENDADOR

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Linha do Vouga - Em vez de metro de superfície, REFER propõe sistema de comboios frequentes para o troço Aveiro-Águeda

O estudo de pré-viabilidade da Câmara de Aveiro vai ao encontro do desafio lançado pela REFER e CP de seguir o modelo de S. João da Madeira
Decorreu recentemente em Aveiro o fórum do centenário da Linha do Vouga.
Na altura foi apresentado pelo gabinete de Mobilidade da Câmara de Aveiro um estudo prévio sobre a viabilidade de implementação de um metropolitano de superfície entre Aveiro e Águeda.

Das conclusões desse estudo ressalta desde logo, que a solução de um metro de superfície para Aveiro é inviável, um dos obstáculos para viabilizar o projecto reside no potencial de utilizadores, outro dos óbices que torna o projecto praticamente intransponível é o custo da sua implementação.

Deste modo, a Câmara de Aveiro propõe à REFER e à CP a revitalização da infra-estrutura ferroviária através do serviço de comboios frequentes, numa solução similar à que foi adoptada para São João da Madeira e que já recolheu a simpatia de outros municípios que integram a linha do Vale do Vouga. Curiosamente as soluções que a REFER e a CP propõem para revitalizar a linha apontam exactamente no mesmo sentido, pelo que, existindo uma convergência de interesses de todos os agentes é provável que esta seja a solução a adoptar para o futuro.

As conclusões que emanaram deste fórum talvez ajudem algumas pessoas a reflectirem melhor sobre o que é ou não praticável no desenvolvimento da Linha do Vouga.

Este quadro ajuda a desmistificar os desacertos alucinantes de algumas mentes de Santa Maria da Feira que sonharam durante algum tempo com o metro de superfície, mas que entretanto, parece que o deixaram caír no entorpecimento.

A ideia de que a linha do Vouga está decadente e moribunda na procura por parte dos utilizadores é de certo modo contrariada pelos números.

Em 2008, 678 mil pessoas foram transportadas na Linha do Vale do Vouga, mais 120 mil que em 2006. Deste número, metade diz respeito ao troço Aveiro-Águeda.

O futuro para a Linha do Vale do Vouga passa por crescer e modernizar-se, tornando-a mais atractiva como alternativa ao transporte particular, para isso é necessário fazer investimentos, tanto na linha como no serviço, investimentos esses que poderão ser suportados em parte por fundos comunitários, haja vontade política e a linha do vouga não morrerá.

PUBLICAÇÃO: O COMENDADOR

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Aveiro - museu da cidade dá formação sobre a história local

domingo, 25 de janeiro de 2009


O Museu da Cidade, em Aveiro, organizou um programa de formação para dar a conhecer o património cultural e natural da região.

Espera-se com esta iniciativa, inédita na localidade, não só “incentivar a participação activa da comunidade” nas acções de valorização do património, como “despertar consciências” para a sua salvaguarda.

Neste âmbito, o museu da cidade está a preparar, também, o fórum “Que futuro para a Linha do Vale do Vouga?”, com realização prevista para Maio.



PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR

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Paços de Brandão - Não me apeteceu....

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Confesso que também não me apetecia escrever sobre isto, mas a apetência deste presidente de junta tem-se centrado de tal maneira na inaptidão para o cargo, que é inevitável colocar a nu tanto devaneio insultuoso.

O presidente da Junta de freguesia de Paços de Brandão,veio finalmente a terreiro, esclarecer porque razão não participou nas comemorações dos 100 anos da Linha do Vouga.

Paços de Brandão não participou oficialmente no evento, simplesmente, porque não apeteceu ao senhor presidente da junta.

O que é isto!? este senhor não tem vergonha na cara?

Este senhor deve desconhecer as funções para as quais se propôs a ser eleito nas últimas eleições.

Quando foi eleito presidente da junta, este senhor assumiu igualmente, um compromisso e uma responsabilidade; a obrigação de representar e dignificar ao mais alto nível, o bom nome da freguesia.


O desenvolvimento de Paços de Brandão , esteve intimamente ligado à linha do Vale do Vouga, nas suas mais diversas vertentes, social, económica e até cultural . O facto de a freguesia ter sido contemplada com uma estação de comboios, deve ter sido marcante e motivo de regozijo para a população há 100 anos. Ainda hoje a estação de Paços de Brandão, serve dezenas de pessoas diariamente e o comboio continua a ser o único meio de transporte que algumas pessoas dispõem para se deslocarem.

Impunha-se portanto que a freguesia se fizesse representar oficialmente nas comemorações do centenário da Linha do Vouga e simultaneamente promovesse o evento junto da população, à semelhança da postura que foi adoptada pelas outras freguesias por onde passa o Vouguinha.

Lamentável, é o adjectivo mais suave que encontro para caracterizar este tipo de postura e mostra acima de tudo um intolerável desrespeito para com a população e uma mancha que borra o bom nome e a dignidade da freguesia.

Na mesma linha de (ir)raciocínio, é razão para questionar, se nos finais de mês, também não se sente com estado de espírito pouco apetecível, para levantar o cheque na tesouraria da junta.


PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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Linha do Vale do Vouga - 100 anos de história, que futuro? (Parte V)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Nota : O que aqui procurarei expor nada tem que ver com projectos de expansão do metro do Porto e também não me parece de todo que o actual traçado da linha do Vouga, com bitola métrica, seja incompatível com outro qualquer projecto alternativo de transporte ferroviário.

Como tornar viável a Linha do Vouga?

A linha do vale do Vouga foi durante décadas, uma estrutura importante para desenvolvimento económico e social da região do entre Douro e Vouga. Os tempos hoje são outros, muito se tem falado em estratégias para a sua revitalização futura.

Qualquer estratégia que venha a ser definida para a sua sustentabilidade, deve estar assente em duas perspectivas:

- A prestação de um serviço público de transporte, adequado às necessidades das populações
- Exploração do seu potencial turístico, como factor de coesão regional, evitando assim uma maior assimetria entre os concelhos do EDV (entre Douro e Vouga).


A melhoria da qualidade na prestação do serviço de transporte, deve passar fundamentalmente, pela rapidez de deslocação e pela frequência de comboios de modo a reduzir os tempos de espera, só assim este meio de transporte poderá ser atractivo e procurado pelas pessoas.

Para se conseguir um nível aceitável nesta melhoria, não é necessário fazer investimentos acéfalos e megalómanos, como metros de superfície, ou complexos comboios suburbanos, é necessário no entanto proceder a algumas obras.

Desde logo, é importantíssimo colocar em execução o projecto de requalificação das passagens de nível, de modo a que estas não se tornem um factor perturbador, na fluidez do tráfego ferroviário.

A melhoria geral de toda a infraestrutura: substituição de carris e travessas, consolidação do balastro, correcção técnica de curvas de reduzido diâmetro.

Estudar a possibilidade de criar novas paragens. Uma delas, entre Paços de Brandão e Sampaio de Oleiros, na zona de Riomaior, ficaria a 200 m do Museu do papel, serviria alguma população de Santa Maria de Lamas e de Mozelos.

Uma pequena alteração ao traçado actual, logo depois do viaduto da A1, perto do apeadeiro de Riomeão, poderia permitir que a linha se aproximasse da área do futuro PEC, onde hoje, existe já uma zona industrial, com muitas empresas. Esta futura intervenção poderia servir igualmente a zona industrial da Silveirinha em São João de Vêr.

Em Espinho, é fundamental que o terminal da linha se desloque umas centenas de metros para Norte, de forma a permitir um acesso mais próximo com a estação de Espinho da Linha do Norte. Isto é possível, não é necessário fazer nenhum túnel, nem o investimento é de monta incomportável, basta deslocar uma passagem de nível algumas dezenas de metros. Naturalmente, que é também necessário criar uma nova infraestrutura condigna que cumpra a função de dar abrigo aos utentes em espera.

Outro factor que é importante, tem que ver com as condições do actual material circulante, é antigo e deve ser remodelado ou substituído por material moderno, mais rápido e confortável.

Não se podem esquecer os utentes, é preciso criar espaços de abrigo, com condições condignas para os utilizadores. Isto implica também a criação de zonas de estacionamento seguro em áreas próximas das estações, deve haver também uma estratégia de coordenação municipal de transportes que permita a complementaridade, ou seja, deve haver um serviço de transportes rodoviário que complemente o ferroviário, de modo a que as pessoas possam sem grandes transtornos, ter a facilidade de acesso aos locais onde o comboio não possa chegar tão perto.

Devem ser as pessoas a procurar o comboio, por tudo aquilo que ele pode ter de vantajoso e não o contrário, era especialmente prático que cada um de nós pudesse ter à saída de sua casa uma estação de comboio, mas a realidade não é assim.

Dar vida aos edifícios das estações, as estações actualmente,são locais ermos e que despertam algum receio nas pessoas, isto pode combater-se em primeiro lugar pelo restauro dos edifícios que actualmente estão a cair aos pedaços e também pelos arranjos exteriores de acesso, tanto na zona das plataformas como na envolvente.

Estes espaços depois de restaurados são potencialmente valorizáveis, se forem adaptados a pequeno comércio artesanal, à restauração, ou outro qualquer tipo de espaço comercial.

Por fim, sendo introduzidas estas melhorias ou outras que se julguem adequadas, é necessário apostar em campanhas de sensibilização para as vantagens do transporte ferroviário. Nenhuma medida que venha a ser adoptada terá algum interesse, se as pessoas não forem levadas a utilizar o comboio, como meio de transporte mais rápido, mais seguro, mais barato, mais prático e mais ecológico.

Mesmo com a introdução e execução destas melhorias, o comboio foi, é e deverá ser sempre visto, como um transporte de carácter social por excelência, não me parece que tenha forçosamente que dar lucro, porque visto dessa perspectiva económica, teria dificuldades em apontar uma linha que efectivamente fosse lucrativa, quanto muito deve essa linha ter a capacidade para se auto-sustentar nos custos e nos investimentos necessários. Por alguma razão a CP e a REFER são empresas de capital 100% público.

O Investimento que está aqui em causa não será assim tão elevado, se tivermos presentes as vantagens que daí possam advir para o futuro da exploração comercial da Linha do Vale do Vouga.

Numa outra perspectiva, esta linha pelas suas características muito pitorescas, tem um potencial turístico, que merece ser explorado. O troço entre Oliveira de Azeméis e a Sernada é lindíssimo inclusive, envolvendo o concelho de Sever do Vouga, era viável investir na reabertura de uma parte da antiga linha do Vale do Vouga que seguia para Viseu.

Refiro-me ao troço Sernada / Paradela do Vouga, tem um enquadramento paisagístico notável e espectacular, que poderia complementar a exploração turística de toda a linha, tornando-se na sua maior atracção. Solução esta aliás, que integraria o município de Sever do Vouga no âmbito da revitalização da via férrea. Sever do Vouga também é parte integrante dos municípios do EDV , como tal não deve ficar à margem de todo este processo. Esta seria uma forma inteligente de promover a coesão regional, num concelho que tem muito para oferecer em termos turísticos mas que tem sido votado ao esquecimento.

Outra medida que julgo interessante, para promover a dimensão turística do Vale do Vouga, é deslocalizar o núcleo museológico de Macinhata do Vouga, para a Sernada do Vouga, ou até para Paradela do Vouga. Tal como está hoje, esta espécie de museu ferroviário, não reúne condições condignas, para albergar o espólio histórico da linha do Vouga.

Todas as medidas que preconizo para o troço Espinho/Sernada do Vouga, são extensíveis ao ramal que segue para Aveiro.

PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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Vouguinha - 100 anos de história (A crónica da viagem comemorativa - Parte II)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008





Antes de retomar a crónica da viagem evocativa dos 100 anos da Linha do Vale do Vouga, quero introduzir aqui um parêntesis, para referir que houve algumas alterações ao programa oficial, coisa que acredito tenha acontecido pelo facto da viagem ter demorado bem mais do que o previsto. Era previsível que o comboio chegasse a Santa Maria da Feira por volta das 10 h, a verdade é que chegou bem depois das 10h, 30m, as inúmeras saudações de que foi alvo o Vouguinha nas estações e apeadeiros, foi retribuído compreensivelmente, pela organização.




A chegada a Santa Maria da Feira foi impressionante, um mar de gente aguardava a chegada do comboio para simbolicamente, regredir no tempo e fazer a recriação da aclamação do rei.

Feito o discurso da praxe, o rei desapareceu entre a multidão, refira-se a propósito que, estranhamente,uma parte da realeza embarcou no apeadeiro da Lapa, próximo de Sampaio de Oleiros.



A animação musical esteve a cargo da Tuna do Isvouga, que foi entretendo o povo com as suas cantorias.

Foi também na estação da velhinha "Villa da Feira", que se concentrou grande parte da comitiva e das entidades oficiais, assim como altos dignatários políticos locais.

Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes foi a representante enviada pelo governo, para anunciar uma série de medidas previstas para a Linha do Vouga.

A mais importante dessas medidas prende-se com a segurança nas passagens de nível.

O protocolo foi ontem finalmente assinado entre a Refer e a Câmara da Feira e deverá estar totalmente implementado até 2010.

Das 38 passagens de nível existentes no concelho da Feira, 19 serão suprimidas e outras 19 automatizadas, tudo num investimento total de 4,6 milhões de euros, a ser repartido pelas duas entidades.

Outra das medidas que anunciou, foi o estabelecimento de um protocolo entre a CP e a Câmaras de São João da Madeira, de Santa Maria da Feira e de Oliveira de Azeméis que tem por horizonte, a colocação de novos comboios a circular , numa primeira fase entre Arrifana e Orreiro, atravessando todo o concelho de São João da Madeira, podendo este programa vir a ser adoptado a outros troços de linha que tenham mais procura pelos utentes.



Basicamente, pretende-se melhorar o serviço em termos de horários e de frequência de composições, de modo a ir ao encontro das necessidades das pessoas. O Investimento previsto para este projecto será de aproximadamente 9 milhões de euros, e deverá contar com apoios comunitários, estando prevista a sua definitiva implantação em 2011.

Para não me perder demasiadamente nestas questões, resolvi dar uma voltinha pelas imediações da estação da Feira, e fiquei surpreso com o serviço complementar de transportes que estava disponível mesmo à saída da estação, uma série de charretes e coches. Presumo que só ali estivessem para se agregarem às comemorações do Vouguinha, mas de todo o modo, o negócio até pode ter pernas para andar, desde que seja criado um circuito turístico para a cidade, que contemple a zona da estação e toda a zona histórica.



Finalmente, depois de realizadas todas as cerimónias protocolares entre as várias entidades, o cenário escolhido, foi a antiga sala de espera de passageiros, eis que o Vouguinha se aproxima, para mais uma etapa da viagem, desta vez o destino é a terra do calçado - São João da Madeira; onde haverá um almoço de confraternização e onde serão assinados os protocolos com a autarquia local, que atrás referi.

A tuna do Isvouga, fez as honras da despedida e o comboio despediu-se da Villa, completamente à pinha, passava já do meio-dia. Acrescente-se que muita da comitiva VIP, embarcou no vouguinha rumo a São João da Madeira. Ou muito me engano, ou alguns VIP tiveram a oportunidade de realizar o seu baptismo férreo na Linha do Vouga.




Chegada ao apeadeiro de Escapães, estalaram os foguetes ao som da música folclórica do rancho local, pelo caminho o mesmo cenário que encontramos da parte da manhã, centenas de pessoas que se abeiravam da linha para acenar à passagem do Vouguinha.

A chegada a Arrifana foi contemplada com uma imponente demonstração de orgulho dos Arrifanenses, a banda de música local marcou o compasso, gostei bastante.



Em São João da Madeira estavam seguramente centenas de pessoas e a confusão foi maior quando os passageiros do comboio se misturaram com a multidão que os aguardava.
Nos meus planos, tinha previsto almoçar aqui, mas a confusão era tanta que resolvi seguir viagem rumo a Oliveira de Azeméis.



Enquanto aguardava a partida do comboio, ainda tive tempo para dar uma espreitadela pela zona envolvente à estação que sofreu uma transformação de vulto nos últimos tempos, existe agora um túnel por baixo da linha férrea que facilita o trânsito local que se desloque para a zona desportiva. O muro que delimitava o espaço da estação foi removido e substituído por um espaço ajardinado com relva, sem dúvida, uma aposta na modernidade,que rompe com o tradicional aprisionamento das gares face à envolvência das ruas.

Parte o comboio, agora muito mais aliviado, o que permitirá usufruir melhor da paisagem.
Paragem em Faria, sem grande pompa, pois a hora é de almoço.

Couto de Cucujães, já da última vez que cá tinha passado, senti tristeza pelo deprimente estado de conservação da estação, tudo permanece igual, com o edifício a desprender-se aos pedaços. Houve ali uma espécie de limpeza de circunstância, cortaram-se silvas e ervas para a ocasião festiva da comemoração, mas nada mais...



Santiago de Riba-Ul, tudo igual, o espaço onde esperam os utentes do comboio é pouco digno e desadequado para o efeito.

Atravessando o rio Ul, o comboio inicia um estranha bailado de curvas e contra-curvas, serpenteando e rasgando, campos e montes, vai vencendo o árduo declive até Oliveira.



Chegados a Oliveira de Azeméis é tempo de procurar almoço ...o Vouguinha segue o seu caminho, em mais uma viagem triunfal que o levará até à Sernada do Vouga.

Depois do almoço, é tempo de regressar à estação, para assistir à chegada da comitiva oficial vinda de São João.

Centenas de pessoas dão largas ao entusiasmo e a banda de Santiago de Riba-Ul ajuda a marcar o ritmo. Em Oliveira é decerrada mais uma placa evocativa desta data.



Segue-se uma visita apeada à exposição do centenário da Linha do Vale do Vouga, numa galeria da cidade Oliveirense, mostra essa, que vai percorrer os sete concelhos servidos pelo caminho-de-ferro. Infelizmente, acabei por não fazer esta visita à exposição, o adiantar da hora iria dificultar a minha viagem de regresso.

No regresso, o comboio está completamente apinhado e com o ambiente quase irrespirável, já perto de Santa Maria da Feira, dá-se uma situação bastante aflitiva, alguém que sofreu uma queda de tensão e desmaiou, o que obrigou o Vouguinha a reter a sua marcha por largos minutos em Sanfins, para que os bombeiros pudessem dar assistência à pessoa que se sentiu mal, que entretanto seguiu para o Hospital.

Pelo caminho, ainda foram muitas as pessoas que aproveitaram a ocasião para fazer um viagem gratuita até Espinho.

Foi assim, com esta ligeireza que procurei fazer a descrição dos momentos altos, que marcaram as comemorações do 1º centenário da Linha do Vale do Vouga.


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Vouguinha - 100 anos de História (A crónica da viagem comemorativa - Parte I)

domingo, 23 de novembro de 2008





Há 100 anos foi inaugurado o troço Espinho/Oliveira de Azeméis, 100 anos depois reviveu-se de forma entusiástica a viagem Inaugural.

Foram às centenas os entusiastas, que se prestaram a relembrar os tempos áureos do vouguinha.

Tudo começou bem cedo pela manhã em Espinho, pelas 9h30m em ambiente de enorme festa, era descerrada uma placa evocativa dos 100 anos da Linha do Vale do Vouga.

Aqui deixo em singelas palavras o relato desta viagem, para mais tarde recordar.
9h3om saída de Espinho, com algum atraso e todo engalanado a preceito, pois a ocasião é de festa, lá foi dada partida ao vouguinha.



Apesar de a CP ter disponibilizado 4 composições, o comboio estava repleto de gente, muitos foram os que em Espinho tiveram que esperar pelo próximo comboio.


Primeiro grande momento da viagem,Sampaio de Oleiros, na plataforma da estação o Vouguinha era aguardado por centenas de pessoas que ao som da Banda de música e do rancho folclórico local davam as boas-vindas ao Vouguinha.



Curioso e sintomático, do carinho que as populações nutrem pelo vouguinha, foi o facto de durante toda a viagem, milhares de pessoas se encontrarem ao longo da via férrea a acenar ao comboio, confesso que cheguei a sentir alguma comoção.

Chegada a Paços de Brandão, foi talvez o momento mais triste desta viagem, muito pouca gente na estação, é lamentável aquilo que se passou numa das estações mais importantes de toda a linha. Estava previsto pelo programa oficial das comemorações, que lá estivesse um grupo de animação, confesso que não me apercebi de nada e inclusive, não me apercebi também da presença de qualquer entidade oficial da freguesia, enfim, considero insultuosa para o orgulho, das gentes de Paços de Brandão a falha que ali houve.



Os Brandoenses são dos que mais vida dão a este meio de transporte e a comprová-lo, o facto de dezenas de brandoenses terem iniciado a sua viagem em Espinho. Apesar disto, ainda entraram algumas pessoas no comboio, que por esta altura já abarrotava pelas costuras.

Riomeão, mais uma excelente recepção, com muita animação, desta vez feita pelo rancho folclórico local.

São João de Vêr, foi com enorme surpresa que assisti à recepção apoteótica nesta localidade, eram seguramente centenas as pessoas que se dispuseram ao longo da plataforma da estação.
Foi aqui também, que alguns sanjoanenses brindaram o vouguinha com malápios, um fruto semelhante à maçã e que é marca estilizada deste povo há pelo menos um século.



Conta-se que na viagem inaugural do vouguinha, as pessoas de São João de Vêr, impressionadas com a máquina a vapor, terão presenteado o comboio com este fruto, para que retemperasse as suas forças. Desde então, talvez por uma questão de chacota bairrista, os habitantes de São João de Vêr, são alcunhados carinhosamente, pelos habitantes das freguesias vizinhas de "malapeiros"!

O traçado da linha do vouga que precede a sua chegada a S.J.Vêr, vindo de Espinho, é feito em subida com alguma inclinação, era ali que o comboio a vapor reabastecia a sua caldeira de água.

Ainda hoje, é visivel junto à estação, o antigo silo. Apesar da ferrugem que lhe foi marcada pelo tempo, ainda resiste altivo à passagem dos comboios, pelo contrário a sua velha parceira, já há muito se reformou.

Foi uma verdadeira pena, que este percurso não pudesse ter sido feito pelas velhas máquinas a vapor, ao que parece por razões técnicas, as máquinas dificilmente resistiriam a esta derradeira viagem.

Para quem tiver alguma curiosidade sobre estas lendárias do caminho de ferro, no núcleo Museológico de Macinhata do Vouga ainda se encontram algumas das máquinas que, outrora serpentearam o vale do Vouga.

O Comboio despediu-se de São João de Vêr em clima de grande festa, com centenas de pessoas acenar, foi bonito de se ver...

Nos apeadeiros do Cavaco e de Sanfins, muitas pessoas assitiram à passagem do Vouguinha, que lá suguiu a sua lenta cavalgada pela trincheira da Piedade rumo à Vila da Feira.




Chegada a Santa Maria da Feira, com a velha estação da "Vila da Feira", de cara lavada, viu-se que a REFER, trabalhou arduamente nos últimos dias, para que tudo parecesse um brinco! ou não fosse ali que as altas individualidades do concelho se perfilariam para fazer a recepção a sua majestade, o rei Vouguinha geração III.

Nota : Como o texto é demasiado extenso para ser publicado de uma só vez, ele será subdividido em partes, por agora fica a Parte I, continuarei posteriormente com a viagem, tal como o fez o vouguinha que se deteve largos minutos nesta estação, enquanto aguardava pelo cruzamento com o seu irmão, vindo de São João da Madeira.


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S. João da Madeira: Investimento de 9,4 milhões de euros em sistema de comboios frequentes

sábado, 22 de novembro de 2008

S. João da Madeira, 22 Nov (Lusa) -- Um sistema de comboios frequentes vai ser instalado na Linha do Vale do Vouga, um investimento de 9,4 milhões de euros, a funcionar em 2011, anunciou o presidente da Câmara de S. João da Madeira, Castro Almeida.
"Esta é uma aposta estratégica de longo prazo, que responde localmente a um problema global que ainda não é agudo mas que vai ser. Se queremos uma mobilidade sustentável, não será possível continuar, como até aqui, a apostar no transporte individual e no consumo de combustíveis derivados do petróleo", afirmou o social-democrata Castro Almeida, em declarações à Agência Lusa.
A CP, a Refer(empresa responsável pela rede férrea nacional) e as autarquias de S. João da Madeira, Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis assinam domingo um protocolo para a instalação de um sistema de comboios frequentes.
Nesta fase, o sistema estabelecerá a ligação entre o lugar do Orreiro, no limite Sul de S. João da Madeira, e a estação de Arrifana, no Concelho de Santa Maria da Feira.
O documento prevê a criação de três novas estações de caminho-de-ferro no troço da Linha do Vale do Vouga que atravessa S. João da Madeira, estando ainda contemplada a aquisição de três composições para este futuro serviço.
O investimento previsto - 9,4 milhões de euros -- é suportado por fundos comunitários e pelos orçamentos da CP, Refer e autarquia de S. João da Madeira.
O acordo aponta para 2011 o funcionamento do sistema de comboios frequentes, que se traduzirá num reforço do número de paragens e de circulações, em "vai-e-vem" no troço Arrifana/Orreiro, complementando o actual serviço Regional da CP na Linha do Vouga.
Fonte: Agência lusa

Comentário do Comendador:

"
Ora aqui está uma das possíveis estratégias para o desenvolvimento de S.João da Madeira e simultaneamente um passo interessante para a revitalização da Linha do Vouga.

Apostar na mobilidade com a respectiva complementaridade de meios de transporte, que sirvam as reais necessidades das pessoas.


Sempre quero ouvir alguns, que nunca tiveram coragem de assumir publicamente ou nos locais próprios o encerramento da linha, porque isso tacticamente poderia retirar votos e criar atritos pessoais, virem agora censurar este acordo.

Na política tal como na vida há-que ter a frontalidade necessária, para debater abertamente as questões, e não refugiar-se covardemente na arte da censura!

Pensar que este tipo de atitudes se releva com palmadinhas nas costas, revelar-se-á a seu tempo, um erro crasso!"



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Linha do Vouga - Domingo as viagens são à borla

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Domingo - 23 de Novembro viagens à borla


As viagens nos comboios da Linha do Vale do Vouga são gratuitas, domingo, no percurso entre Espinho e Aveiro (via Sernada), numa iniciativa enquadrada nas comemorações do centenário daquela linha, anunciou hoje fonte da CP.
Esta promoção marca o início do programa comemorativo da Linha do Vale do Vouga, cujo primeiro troço (Espinho-Oliveira de Azeméis) foi inaugurado a 23 de Novembro de 1908, por D. Manuel II.


As comemorações começam domingo de manhã, em Espinho, com o descerramento de uma placa comemorativa na estação e de uma projecção de fotografias de Aurélio Paz dos Reis, que recriam a chegada de D. Manuel II à cidade para a inauguração oficial.
Às 09:26 parte um comboio especial com destino a Oliveira de Azeméis.
Em Santa Maria da Feira é descerrada uma segunda placa comemorativa na estação, realizando-se depois uma missa promovida pelos ferroviários, na Igreja Matriz, e diversas actividades de entretenimento e lazer.
Às 11:43, já com a presença da secretária de estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, o "Vouguinha" prossegue a viagem, com chegada prevista para as 12:00 a S. João da Madeira, onde será descerrada uma terceira placa comemorativa e visitadas as obras de requalificação do Centro Coordenador de Transportes.
Nesta cidade serão assinados vários protocolos tendo em vista a automatização e dinamização da ferrovia.
Neste primeiro dia de comemorações, o comboio especial termina a viagem em Oliveira de Azeméis, com o descerramento às 14:35 da última placa comemorativa.
Segue-se um percurso a pé até à galeria Tomás Costa, na Praça da Cidade, para inauguração da exposição do centenário da Linha do Vale do Vouga, mostra que vai percorrer os sete concelhos servidos pelo caminho-de-ferro.
Exposições, acções de sensibilização para a segurança ferroviária, viagens promocionais, descontos em passagens e um fórum sobre o futuro da linha e o desenvolvimento regional, são algumas das actividades previstas ao longo do ano.
As comemorações são uma iniciativa da CP, REFER (a empresa responsável pela rede férrea nacional), Fundação do Museu Nacional Ferroviário e câmaras de Albergaria-a-Velha, Águeda, Aveiro, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e S. João da Madeira.
A Linha do Vale do Vouga, que se desenvolve entre a estação de Espinho-Vouga e Aveiro numa extensão de 96,2 quilómetros, é servida por 13 estações e 32 apeadeiros, atravessando 33 pontes e três túneis.
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Linha do Vale do Vouga - 100 anos de história, que futuro? (Parte IV)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Viabilidade da Linha que estratégias ?

No texto anterior, procurei fazer uma abordagem sustentada dos obstáculos que se colocam, na viabilização da reconversão da linha do Vouga em metro de superfície, no troço Oliveira de Azeméis/Espinho. Resumindo, os utentes colocam a velocidade de deslocação acima da comodidade e do conforto, o metro de superfície tem esse senão da rapidez, além disso o investimento a efectuar na linha seria brutal comparando-o com outras soluções.

No caso do troço Águeda/Aveiro com possibilidade de expansão até Ílhavo, parece-me esta solução um pouco mais consistente, Aveiro é uma cidade com uma densidade populacional elevada, que é capital de distrito e que alberga no seu interior uma grande quantidade de serviços e instituições públicas, é uma cidade universitária com muitos alunos. As minhas reservas colocam-se ao nível dos fluxos de passageiros com origem em Águeda.

Passando agora para uma outra solução que tem sido muito avançada, a readaptação da linha e a sua integração na rede de suburbanos do Porto.

Antes de se poder avançar para esta solução, era necessário fazer um rigoroso estudo de mercado no sentido de aquilatar da natureza dos destinos dos potenciais passageiros, isto é; se o fluxo de passageiros oriundos das diferentes estações tem por destino final a cidade de Gaia ou do Porto.

Outro problema seria a reestruturação da via e os investimentos necessários:

- Alargamento do tamanho da bitola com respectivo levantamento de toda a estrutura da via
- Electrificação
- Introdução de material circulante adequado
- Entroncamento da linha do Vouga com a linha do Norte
- Possível correcção do actual traçado

O maior inconveniente e que me parece poder ser decisivo para inviabilizar esta solução, poderá ser a actual situação de saturação de tráfego na Linha do Norte. A colocação de mais composições a circular contribuiria para saturar ainda mais a linha.

A solução que foi adoptada para o antigo percurso que ligava a Linha da Póvoa a Guimarães, dificilmente poderá ser introduzida na Linha do Vouga. Enquanto a linha do Vouga abrange cerca de 350 mil habitantes, a Linha de Guimarães serve uma população alvo de mais de meio milhão de pessoas. já para o ramal de Aveiro, parece-me uma solução interessante a reconversão. Actualmente já existe um serviço de suburbanos do Porto para Aveiro, pelo que não haveria um acréscimo significativo de tráfego na Linha do Norte.

No entanto, seria necessário um investimento de vulto na via, com a sua electrificação e alteração da bitola, o material circulante que estaciona em Aveiro, poderá facilmente deslocar-se para Águeda, esta parece-me uma solução a ter em conta.

Nota: Num próximo texto irei definir qual a solução que entendo ser a mais adequada para a viabilização desta via férrea.

PUBLICAÇÃO : O GADANHA

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  © Feira das Conspirações! - Santa Maria da Feira - Portugal - Maio/2008

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