Estrelas Supernovas

quinta-feira, 11 de junho de 2009

SUPERNOVAS


A definição genérica de Supernova é dada aos corpos celestes que resultam da explosão cataclismica de estrelas com mais de 10 massas solares.Em apenas alguns dias o brilho de uma estrela pode intensificar-se cerca de 1000 milhões de vezes, libertando uma colossal quantidade de energia, uma Supernova pode expulsar para o espaço cerca de 90% da matéria originária de uma estrela.

O que restará de uma estrela depois da explosão, poderá ser uma estrela de neutrões ou pulsar se o núcleo remanescente for de massa inferior a 3 massas solares, estes corpos são extremamente densos, já que a matéria fica concentrada num pequeno núcleo de aproximadamente 15 Km, uma pequena colher de matéria que forma uma estrela de neutrões poderá pesar várias toneladas. Caso o núcleo ultrapasse as 3 massas solares, continuará a haver diversas reacções nucleares e o núcleo continuará a colapsar-se, podendo originar-se um buraco negro.

As Supernovas podem ser de dois tipos:

  • Tipo I: São as Supernovas que não apresentam linhas de hidrogénio nos seus espectros. Isto pode acontecer em sistemas binários em que existe uma anã branca e uma companheira muito maciça. Acontece que quando a anã branca é reforçada com enormes quantidades de matéria oriunda da sua companheira, este acréscimo de matéria pode atingir um limite critico a partir do qual a estrela deixa de ser estável, é o chamado limite de Chandrasekhar. Quando este limite é ultrapassado a estrela entra num processo de colapso gravitacional com consequências catastróficas.
  • Tipo II: São as Supernovas onde se observam linhas de hidrogénio nos seus espectros. As Supernovas deste tipo resultam de estrelas de grande massa que passam por um processo de grande perda de massa. Neste caso as camadas exteriores da sua superfície são lançadas em velocidades incríveis para o espaço enquanto a sua região central inicia um processo de colapso. Isto acontece porque nas reacções nucleares da fornalha estelar o hidrogénio é convertido em hélio, acontece que quando o hidrogénio se esgota, o hélio funde-se com o carbono do núcleo originando o colapso da estrela e a libertação de uma descomunal quantidade de energia.
A ocorrência de uma Supernova é um fenómeno extraordinário e nos últimos 1000 anos apenas há relatos do aparecimento de 3 destes objectos na nossa galáxia.

As Supernovas mais famosas da história:

SN1572 - Identificada pelo astrónomo Tycho Brahé (contemporâneo de J.Kepler, que foi seu discípulo). Na noite de 11 de Novembro de 1572, Tycho observou e registou o aparecimento súbito de uma nova estrela, muito brilhante na constelação de Cassiopeia. O seu brilho era tão intenso que ultrapassava o brilho do planeta Vénus, a estrela pode ser vista em pleno dia e por mais de 18 meses. Os restos da explosão espalharam-se pelo universo, formando uma nuvem de gás e poeira com um diâmetro de 20 anos-luz.

Utilizando telescópios no Havaí e na Espanha, os cientistas captaram esses ecos da explosão original e reconstruíram a estrela de Tycho Brahe. Distância provável da explosão estelar - 7500 anos-luz.

SN 1054 - Também chamada de Supernova do caranguejo, foi uma supernova amplamente vista da Terra em 1054, foi registada por astrónomos chineses e árabes na constelação do Touro.
O seu brilho perdurou por 23 dias em plena luz do dia e foi visível por mais de 650 dias.

A poeira remanescente da SN 1054 é agora conhecida como Nebulosa do Caranguejo, também conhecida por M1, por ter sido o primeiro corpo celeste classificado por Messier no seu catálogo em 1774. Em 1963 detectou-se que a nebulosa do Caranguejo é uma potente fonte emissora de raios X. Mais tarde, em 1968, foi detectado um pulsar emissor de ondas rádio no mesmo objecto. Este pulsar tem uma rotação extremamente veloz (gira 30 vezes por segundo). Estima-se que a estrela que deu origem a esta Supernova estivesse à distância de 6300 anos-luz.

SN1604 - Esta Supernova foi observada por Kepler em 1604, na constelação do Ofiúco. A mais ou menos 13,000 anos-luz de distância, a supernova de Kepler representa a mais recente explosão estelar observada na nossa Via Láctea.

SN1987 A - Em 1987 deu-se um acontecimento extraordinário, pela primeira vez na história recente da astronomia, uma Supernova pode ser exaustiva e detalhadamente estudada pelos cientistas. O acontecimento deu-se fora da nossa galáxia, mais concretamente na galáxia vizinha, conhecida por Grande Nuvem de Magalhães. No que resta da violenta explosão estão a formar-se um estranhos anéis que estão a intrigar os cientistas.
Na imagem que se segue captada pelo Hubble em 1994, podem ver-se os restos da violenta explosão estelar e a formação dos anéis. A origem destes anéis é ainda um mistério. Há quem teorize sobre a existência de jactos emanados pela densa estrela que resta da supernova, ou uma sobreposição de dois ventos estelares ionizados pela explosão da supernova.

Próximas Candidatas a Supernovas

Há quem entenda que a próxima Supernova poderá estar para breve. A ocorrência de uma Supernova é um fenómeno completamente espontâneo e imprevisível. Pode muito bem acontecer que um dia destes ao olhar-mos para o céu sejamos surpreendidos e contemplados com a visão fascinante de uma Supernova. Apesar disto, existe um conjunto de estrelas que pelas suas características serão mais tarde ou mais cedo (pode demorar milhares de anos) candidatas a explodir como supernovas. Deixamos aqui algumas das que os cientistas apontam como prováveis e inexoráveis candidatas ao cargo de próxima Supernova da Via Láctea:

A candidata que se encontra mais próxima da Terra é a estrela IK PEG da constelação do Pégaso e que se encontra a 100 anos-luz, apesar da relativa curta distância, não e de crer que se eventualmente explodir possa causar qualquer preocupação na Terra. O limite que é apontado como critico de segurança são os 26 anos-luz. A IK PEG é uma anã branca com aproximadamente 1,15 massas solares, portanto, muito perto do limite de Chandrasekhar que é de 1,5 massas solares para este tipo de estrelas. No entanto, o processo poderá levar muitos milhares de anos até que a estrela ultrapasse esse limite e se torne instável ao ponto de poder explodir.

A estrela ETA CARINAE é outra das Candidatas é uma supergigante que se encontra a 7500 anos-luz. Eta Carinae é uma supergigante com 100 a 150 vezes a massa do Sol, o seu aspecto mais característico é a variação do seu brilho de várias magnitudes, esta estrela já foi a mais brilhante do céu, por volta de 1830 ultrapassou o brilho da estrela Sírio. Foi registada recentemente e após detalhadas observações como uma variável do tipo SDOR.

Tudo parece indicar que ETA CARINAE seja um sistema binário de estrelas muito próximas uma da outra. A estrela de menor diâmetro é a mais quente (30 000 °C) e a outra com o triplo do diâmetro é mais fria (15 000 °C), mas duas vezes mais brilhante. Este sistema estelar está envolto numa densa nuvem de gases e poeiras, que forma uma nebulosa 400 vezes mais extensa do que o Sistema Solar, conhecida como a Nebulosa de Eta Carinae (ou NGC3372).

Estrelas muito grandes como Eta Carinae esgotam o seu combustível muito rapidamente devido à sua luminosidade descomunal.

Supergigantes vermelhas como Betelgeuse (ALFA ORI), Antares (ALFA SCO) ou Mira Ceti (OMICRO CET) são igualmente candidatas a tornarem-se na próxima Supernova. É também muito provável que a próxima Supernova não venha a ser nenhuma das apontadas, no entanto há uma coisa que se sabe: todas as supergigantes vermelhas terminam inexoravelmente como Supernovas, portanto qualquer supergigante vermelha da via Láctea e são milhões delas, poderá muito bem vir a ser a próxima Supernova.

PUBLICAÇÃO: O COMENDADOR

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