Asfixia

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



Asfixia democrática, eis a treta da semana passada. Os partidos políticos vêm-nos habituando a um estilo de fazer política, miserável. O ataque à personalidade do adversário é constante e mútua e, a dada altura, em vez de julgarmos a actuação governamental de uns e analisar os programas eleitorais de outros, discutimos parvoíces como a evidência da asfixia democrática da madeira e a evidência da tentação dos partidos do poder controlar os media.
Sinceramente chega a ser ultrajante a forma como Manuela Ferreira Leite se defende das suas próprias incongruências. Considerar que no continente existe asfixia democrática e na Madeira não, pelo simples facto de Alberto João Jardim vencer as eleições com sucessivas maiorias absolutas é fazer de todos nós (cubanos) parvos.
Então, fecha-se o parlamento, coloca-se economicamente dependente toda a região do governo regional, usa-se e abusa-se dos dinheiros públicos para financiar jornais de propaganda, ameaça-se líderes da oposição, entre outros, e conclui-se que não existe asfixia democrática?
Recorrendo ao termo utilizado no novo programa de humor dos Gato Fedorento, esmiucemos o argumento de Ferreira Leite. Será que, pelo facto de Alberto João Jardim arrecadar sucessivas maiorias absolutas torna o regime mais democrático?
Se a democracia se limitasse ao momento em que votamos, talvez esse raciocínio estivesse correcto, visto que as eleições na Madeira são livres, porventura uma legislatura de 4 anos não pode ser avaliada por um único dia. Nesse interregno existem direitos e deveres que devem ser assumidos pelos eleitos e pelos eleitores, encontrando-se a maioria deles consagrados na Constituição da República Portuguesa. Ao incumprimento desses direitos e deveres pode-se atribuir o termo asfixia democrática, pelo que Ferreira Leite pode dizer o que quiser, mas uma coisa todos os portugueses podem ficar a saber: é tão demagoga, oportunista e cobarde que é incapaz de assumir que “dá uma no cabo e outra na ferradura”.
Vejamos o seguinte: Irão, Venezuela, Rússia e Bolívia são alguns dos exemplos de países cujos seus líderes forem eleitos democraticamente. Temos dúvidas de que, pelo menos, na Venezuela e Rússia os seus líderes permanecerão no poder? Serão estes países “normais” em termos democráticos?
Para responder a esta pergunta, seria útil exportarmos a Dra. Manuela Ferreira Leite para líder da oposição daqueles países; assim talvez parasse de atirar areia para os olhos dos portugueses.

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  © Feira das Conspirações! - Santa Maria da Feira - Portugal - Maio/2008

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