Ricardo Araújo Pereira - Boca do Inferno

terça-feira, 16 de dezembro de 2008


A crise está em crise

Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise.


De acordo com os especialistas – e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível – Portugal está mergulhado numa profunda crise. Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado.


O problema é que 2008 já foi bastante difícil. E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise. Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica.


Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB. O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção. Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro.


A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise. Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério. Um crescimento zero, para nós, é amendoins. Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço. 2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado.


É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face às dificuldades.

Fonte : Visão

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Sector corticeiro à beira do colapso

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008


Tempos difíceis são os que se vivem no sector corticeiro.

A actual crise financeira e a dificuldade das empresas no recurso ao crédito bancário, tem colocado muitas empresas à beira da falência económica.

Muitos serão os factores que contribuíram para o drama actual, no entanto a dificuldade de obtenção de financiamento de muitas empresas, junto das instituições bancárias vem por a nu a forma como se obtiveram fabulosas fortunas neste sector.

O tecido empresarial do sector corticeiro é predominantemente composto de pequenas e médias empresas, onde a empresa sempre se confundiu com o patrão; pseudo-empresário de baixa formação e sem qualquer sentido de gestão, os ganhos da empresa sempre transitaram directamente para o seu bolso com a consequente descapitalização da empresa.

A maioria das empresas, principalmente as que se dedicavam à produção rolheira, viveram durante décadas à sombra da não existência de stocks acumulados, ou seja, tudo o que era produzido estava vendido por natureza e inclusive havia dificuldade em satisfazer as encomendas.

Esta situação de domínio no mercado mundial de vedantes, foi confortavelmente aproveitada até que se introduziu no mercado vedantes alternativos, mais baratos e fortemente concorrenciais às rolhas de mais baixa qualidade.

De repente, alguns industriais do sector viram a procura dos seus produtos fortemente reduzida, originando a acumulação de stocks em rolhas de média e baixa qualidade, que serviam essencialmente de vedantes para vinhos correntes, esta situação começou a originar alguns desequilíbrios económicos.

Apesar de algumas campanhas internacionais para a promoção da rolha de cortiça, a verdade é que este produto tem sido fortemente contra-atacado pelas indústrias de alternativos.

Há empresas que têm stocks de rolhas no valor de milhões de euros e não sabem que destino lhes hão-de dar, se juntar-mos a tudo isto a situação actual de crise económica, que provoca fortes contenções de procura, não será exagerado dizer que o sector se encontra perto da ruína.

O sector corticeiro tem funcionado como o principal motor económico, de grande parte do concelho da Feira e qualquer situação de falência generalizada poderá provocar uma implosão social sem precedentes.

O sector emprega aproximadamente 8000 pessoas de forma directa, mas é sabido que mais alguns milhares dependem indirectamente da indústria corticeira.

Existe o receio real, de muitas unidades fabris encerrarem as suas portas nas férias de Natal e não voltarem a abrir em Janeiro.

Se entretanto nada for feito e não for retomada a confiança na economia, o mais certo é que este concelho que actualmente já comporta índices preocupantes de desemprego, venha a ser confrontado com uma grave crise social à semelhança do que se viveu no Vale do Ave, com a indústria têxtil durante a década de 90.

Se no Vale do Ave a situação era quase inevitável, principalmente pela forte concorrência dos têxteis oriundos de países de economias emergentes, mas também pelo fraco investimento que foi feito na modernização da indústria, que era rudimentar e antiquada ao nível dos mecanismos de produção. Na indústria corticeira o problema não passará por certo pela modernização do sector, que em algumas áreas é líder mundial e tem fortes componentes de inovação associadas.

Um dos maiores problemas que actualmente afligem os empresários é a dificuldade em obter matérias-primas de boa qualidade. A diminuição da qualidade e da quantidade de cortiça que é produzida em Portugal, deve-se essencialmente à falta de políticas florestais para a conservação e valorização do montado de sobro. Durante décadas a exploração de cortiça foi feita intensivamente sem que se renovasse a floresta de sobreiro, não houve novas plantações e entretanto as que se fizeram recentemente só produzirão algum efeito a muito longo prazo ( o sobreiro é uma árvore cuja exploração económica só é rentável ao fim de 40/50 anos, o que não é muito encorajador).

Isto tem levado os proprietários de grandes herdades no Alentejo a direccionarem o seu negócio para a criação e exploração de gado, que além do mais são fortemente subsidiadas e não exigem grandes recursos em mão-de-obra. Para agravar ainda mais a situação a presença de grandes manadas junto dos sobreiros é muito nefasta para as árvores, levando inclusivé à sua morte.

Outro problema foram as vagas sucessivas de incêndios de Verão, que se viveram nos últimos anos e que dizimaram grandes áreas de extracção corticeira (principalmente no Algarve), assim como as alterações climáticas que têm tornado muito mais secas algumas regiões tradicionalmente produtoras de cortiça.

Ora havendo pouca humidade nos solos, alguns insectos acabam por se infiltrar na casca do sobreiro na fase de crescimento da cortiça, depositando aí as suas larvas que posteriormente degradam a qualidade da cortiça.

A construção de grandes obras públicas como a auto-estradas, a barragem do Alqueva, empreendimentos turísticos e futuramente o novo aeroporto foram também altamente responsáveis pela destruição de grandes áreas de montado.

Resumindo chegou-se a uma situação quase insustentável, que ainda é mais agravada pela grande especulação que um grande grupo económico do sector faz junto dos produtores, açambarcando para si (directa ou indirectamente) a quase totalidade da matéria prima deixando muito pouco para os restantes, o que os obriga ou a adquirir o que sobra , por norma cortiça de fraca qualidade, ou a recorrer a mercados como Espanha ou Marrocos para suprir as suas necessidades de matéria-prima, ou então em alternativa a adquirir de forma subserviente ao grande grupo económico aquilo de que precisa.

Ou seja, é um sector completamente desregulado que vive sob a ditadura do mais forte, que predomina e monopoliza todo o circuito, tanto da matéria-prima como do produto final.

Outras razões haverá certamente, para justificar toda a derrocada que se vislumbra no horizonte e com honestidade não sou capaz de apontar soluções miraculosas para revitalizar este sector.

A única forma que eu julgo ainda poder adiar a morte deste sector por mais algum tempo, é uma forte intervenção estatal ao nível da regulamentação da exploração florestal do sobreiro, podendo inclusive quebrar as leis do mercado da oferta e da procura, regulando tectos máximos nos preços de venda de cortiça, algo que alguns empresários já tentaram pactuar entre si, mas que não conseguem levar por diante devido ao furacão monopolista do sector que persiste em levar por diante a sua empreitada de engolir tudo e todos.

Outra solução seria atenuar ligeiramente as actuais restrições ao consumo de álcool para os condutores, que tem sido co-responsável pela diminuição do consumo de milhões de garrafas de vinho em todo o mundo diariamente.

Pelo que se percebe das estatísticas, as fortes campanhas anti-álcool não têm produzido grandes resultados na prevenção rodoviária.

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Jornalista Iraquiano "presenteou" Bush com um par de sapatos

domingo, 14 de dezembro de 2008

Os Iraquianos nutrem um grande carinho pelo Presidente Norte Americano G.W.Bush e neste momento o afecto é tanto que já não o conseguem conter...

Foi assim, desta maneira, que um jornalista demonstrou em nome do povo Iraquiano, toda a hospitalidade que George Bush merece!

O presidente Americano mostrou mais uma vez ser um mal agradecido, esquivando-se por duas vezes a receber um magnífico par de sapatos como lembrança da sua visita.




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Lua atingiu o Perigeu na noite de 6ª-Feira (12 de Dezembro)

Quem tem o hábito de olhar regularmente para o céu durante a noite, deve ter percebido que a noite da última 6ª-feira foi mais luminosa que o normal.
Apesar do céu estar um pouco nublado deu para perceber o fenómeno!



Perigeu/Apogeu

A razão desta fenómeno ficou a dever-se ao perigeu da Lua, ou seja o ponto em que o nosso satélite natural mais se aproxima da Terra.

A Lua dista em média 384.405Km da Terra , mas pode aproximar-se aos 356.613 km ou afastar-se até aos 406.700 km de distância, isto acontece porque a órbita da Lua em torno da Terra não é circular, mas elíptica, o que faz com que em alturas diferentes, a Lua ora se aproxime mais (perigeu) ora se afaste mais (apogeu).

Esta diferença de cerca de 50 000 Km, faz com que no perigeu a Lua se apresente com um maior diâmetro aparente e muito mais brilhante, do que no apogeu.




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Paquete de luxo - MSC Fantasia em Lisboa

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008



O MSC Fantasia de 133,5 mil toneladas, da MSC Cruises, representado em Portugal pela Nortravel, faz escala em Lisboa a partir de 12 de Dezembro, vindo directamente dos estaleiros STX Europe, em Saint Nazaire.

O cais de Alcântara será o primeiro ponto a ser escalado pelo MSC Fantasia, numa viagem que antecede o seu baptismo e o cruzeiro inaugural que parte de Nápoles a 18 de Dezembro.

A 31 de Dezembro o MSC Fantasia voltará ao cais de Alcântara para passar o fim-de-ano, onde os passageiros poderão desfrutar do espectáculo de fogo-de-artifício que será promovido pela Câmara Municipal de Lisboa e que terá como cenário o rio Tejo e a Ponte 25 de Abril, diz uma informação do Porto de Lisboa.

Uma informação da MSC Cruises diz que o novo navio da companhia é o maior mandado construir por um armador europeu, e tem seis vezes o comprimento da torre de Pisa, ou seja 333 metros. A mesma informação diz ainda que o MSC Fantasia, que se junta aos restantes dez navios da frota da MSC Cruises, combina o estilo italiano, com tecnologia avançada, elegância e serviços exclusivos.

O MSC Fantasia tem 27 mil metros quadrados de áreas públicas, um centro de bem-estar "Aurea SPA", cinco restaurantes, quatro piscinas, 12 jacuzzis, café, bares, lojas, uma área infantil, um simulador de Fórmula 1 e um cinema interactivo 4D.

O Aurea SPA oferece tratamentos de beleza e para a saúde e bem-estar, entre os quais, terapia de lama, vapores perfumados ou massagens estéticas.

O novo paquete será o primeiro da frota a ter uma área VIP: o MSC Yacht Club com 99 suites, um bar, solário, dois jacuzzis, um skydome piscina, um salão com vista panorâmica com bar reservado, portaria e um salão com vista panorâmica com janelas de vidro, além de possuir o serviço de mordomo.

Os passageiros terão ainda a oportunidade de caminhar sobre um piso de cristal Swarovski. Em 2009, o MSC Fantasia irá ficar a fazer itinerários no Mediterrâneo.

Um "pequeno luxo" que não estará acessível a qualquer um...

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Comando macho - o comando que todos os homens desejam...


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Reflexões - Os paradoxos da democracia

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Se a palavra democracia no seu sentido literal significa o poder do povo, significa igualmente, que cada indivíduo enquanto componente dessa amálgama social (povo), abdica do seu poder quando deposita o seu voto na urna, é verdade que esta abdicação, num sistema dito democrático é sempre por tempo limitado, mas não deixa de ser uma auto-exclusão do centro de poder.

Não deixa de ser paradoxal, que a liberdade de voto e de escolha que nos é permitida pelos regimes democráticos, o deixe de ser assim que exercemos esse direito e colocamos o voto na urna.

Que mecanismos têm ao seu dispor, uma larga maioria de cidadãos que deixou de se rever nas pessoas a quem confiou o seu voto? como se reverte esta situação? temos ou não legitimidade para admitir que nos enganamos? temos ou não democracia para reflectir-mos sobre esta questão?

Claro que nenhuma forma de governação conseguiria vingar, se fosse sujeita à pressão constante do escrutínio permanente. No entanto, se a constituição de uma larga maioria de cidadãos permitisse destituir um Governo ou a Assembleia da República, talvez os seus representantes eleitos servissem melhor o povo e dessa forma contribuiriam para aprofundar a prática do conceito clássico de democracia.

A constituição permite que o Presidente da República possa destituir Governos e a própria Assembleia da República, mas ao fazê-lo o Presidente da República torna-se no supremo ditador democrático, já que toma decisões pessoais em nome do Povo.

Assim, sendo só nos resta ser mais participativos, porque infelizmente, estamos reféns na intervenção democrática durante 4 anos menos 1 dia.

Ao termo democracia, talvez melhor se aplicasse o simbolismo da trilogia da revolução Francesa:

Igualdade, Liberdade, Fraternidade!

A ausência de um destes elementos, redundará numa democracia ditatorial e na apatia vegetativa do cidadão perante o regime.


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Lugares exóticos - WC's do 8ª Avenida em São João da Madeira

WC's DO CENTRO COMERCIAL 8ª AVENIDA EM S. JOÃO DA MADEIRA

Foram consideradas as mais sexy do mundo!

Foram a primeira página no Toronto Tribune (Canadá).

Foram notícia de abertura em alguns canais de TV em Inglaterra , e noutras partes do Mundo.

Fotos de António Pinto - http://antoniopinto.com/SONAE-8-AVENIDA-WCs


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Reflexões - Democracia, mas que democracia é esta?!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Há uns dias atrás, a nação ficou boquiaberta ao ouvir Manuela Ferreira Leite dizer, que talvez, o país precisasse de 6 meses sem democracia para ser colocado na ordem.

Na altura foi grande a histeria que se levantou, com alguns membros do governo, de outros partidos e até de dentro do PSD, a levantarem fortes críticas e a censurarem as palavras da Manuela Ferreira Leite.

O Português comum, onde também me incluo, talvez fruto da herança congénita, da tradicional arte de bem navegar, também se deixou levar pela onda.

A verdade porém, é que se reflectirmos com alguma profundidade sobre o que se passou na passada sexta-feira, com a ausência de 30 deputados do PSD e mais alguns do PS da Assembleia da República, chegámos à conclusão que a democracia em Portugal, na verdade, só se pratica de 4 em 4 anos e apenas durante um dia.

Se a democracia é o poder do Povo, esse poder não deveria estar limitado ao mero exercício do poder do voto.

O sistema democrático tal como é praticado pelos nossos governantes e pelos nossos deputados, deveriam fazer condicionar o voto de quem os elege.

Por outras palavras, o Povo fica refém do seu voto durante 4 anos, pois esta democracia não permite que mesmo que uma larga maioria do povo, se veja defraudada nas expectativas, por aqueles a quem confiou o seu voto, terá que os gramar pelo menos por quatro anos, ora assim sendo, o poder efectivamente não está nas mãos do povo, então que democracia é esta?

Há quem confunda democracia com liberdade, mas de facto não é a mesma coisa.
Se temos liberdade para escolher aqueles que queremos que nos governem, não temos a mesma liberdade para os pôr de lá para fora, senão ao fim de 4 anos e entretanto, estes senhores que se dizem governar para o povo, governam-se a si próprios e ajudam os amigos a fazer o mesmo e estão-se nas tintas para o resto da população e o ciclo torna-se vicioso, mas sempre com os mesmos protagonistas, ora agora mando eu, ora agora mandas tu!

E isto é tanto mais dramático, quanto é verdade que desde a década de 80, que o Povo Português tem assistido à delapidação de algumas conquistas de Abril, delapidação essa que já só falta ser viscerofágica, porque os dedos e os anéis já há muito se foram!

O mais revoltante é que os prevaricadores, não têm qualquer pejo em assumir a sua conduta de abutres, em nome e ao serviço da democracia.

É verdade que este sistema talvez seja o menos mau de todos, mas ao assistirmos de mãos e pés atados àquilo que se passou na sexta-feira passada, sentimo-nos reféns da nossa própria liberdade.

Democracia como poder inalienável do Povo! mas que democracia?!

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Ciência - Atmosfera de exoplaneta pode originar tempestades


Sinais de água e talvez, actividade atmosférica num distante e quente planeta gasoso

A revista científica Nature de hoje, dá conta que um grupo de astrónomos detectou água e possivelmente os primeiros indícios de actividade atmosférica, num planeta externo ao sistema solar.
O planeta, um gigante gasoso, que orbita uma estrela a 63 anos-luz da Terra, possui também dióxido de carbono e metano na sua atmosfera de acordo com as mais recentes observações.

A água é uma das moléculas mais abundantes no universo, de acordo com os modelos teóricos, formando-se facilmente em atmosferas planetárias.
Os cientistas surpreenderam-se pelo facto de, quando foram feitas os primeiros estudos do planeta, não ter sido detectada a presença de água nas observação espectral da atmosfera.

No último ano os astrónomos conseguiram encontrar os primeiros traços de água na atmosfera deste e de outro exoplaneta, no entanto os dados obtidos ainda não são conclusivos.


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Manoel de Oliveira faz 100 anos

O Feira,... das Comendas! saúda o decano realizador de cinema Manoel de Oliveira, pela passagem de mais um aniversário, que em 2008 tem a singular particularidade de coincidir com o seu centenário.

Nascido em 11/12/1908 no Porto, é actualmente o cineasta mais idoso do mundo ainda no activo.

Manoel de Oliveira, é um homem com uma história intemporal, a sua vida cruzou-se com a história do cinema, desde o segundo quartel do séc. XX até aos dias de hoje, portanto desde o tempo em que o cinema era mudo e apenas legendado, até à tecnologia do cinema digital.

Impressiona sobretudo, a jovialidade, a lucidez de discurso e a dinâmica de trabalho que este ainda demonstra.


Prémios e galardões

Filmografia:

Grandes metragens
Curtas e Médias metragens


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Recado aos paisinhos

Duvido que algum dos que aqui pretendo sensibilizar venha a ler isto, mas cai vai um aviso aos "paisinhos" que permitem que os seus "filhinhos" vão de bicicleta para a escola.

Antes de mais devo dizer que, nada tenho contra quem anda de bicicleta e tem consciência do que é andar na estrada.

Os vossos "queridos meninos":

- Não têm a mínima noção do que é andar de bicicleta ; porque vocês não lhes ensinaram em casa.
- Não têm a mínima consciência dos sentidos de trânsito; porque vocês não os consciencializaram em casa.
- Não sabem que para andar de noite é preciso luzes e reflectores na bicicleta; porque vocês (pais) parece que também não sabem.
- Não sabem que é perigoso fazer "cavalinhos" em contra-mão; porque possivelmente quando o fazem à porta de casa vocês até os aplaudem e incentivam.
- Alguns, já perdigotos (mas que se julgam garnisés), pensam que têm direito à estrada toda e se se apercebem de um carro atrás, não se arrumam e ainda são mal educados; porque em casa também são assim.

Alguns pais nem devem sequer imaginar o perigo que é percorrer algumas artérias de Lamas em hora de ponta.

O trânsito é simplesmente caótico e anárquico nas imediações , pois para além dos autocarros e dos carros que vão buscar os miúdos ao colégio, ainda se adicionam os que deixam pessoas no campo de futebol.

Depois mais dia menos dia, vão ter uma grande maçada, quando receberem um telefonema a dar conta que o vosso "rico filho" teve um grave acidente perto do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas.

Depois o condutor é que é um grande maluco, insanável, alienado... que não respeita os ciclistas nem as "criancinhas".

Adjectivos esses que vos encaixam na perfeição, pela forma irresponsável como permitem que os vossos "queridinhos", se desloquem para a escola e exponham as suas infinitas habilidades nas duas rodas, numa pretensa demonstração de virilidade perante as miúdas.

Se gostam dos vossos filhos a sério, pelo menos incutam-lhes a ideia que andar na estrada não é nenhuma brincadeira e pode ser muito, muito, muito perigoso!

Só por muita sorte hoje não atropelei um desses ases do asfalto, quando este se lembrou de mostrar às miúdas, que sabia fazer "cavalinhos" na bicicleta. Deu um grande tombo e só por milagre não passei por cima dele, felizmente (para ele) consegui desviar-me a tempo.

Este espectáculo tem hora marcada todos os dias (excepto fins-de-semana) a partir das 17H e 50m, na estrada junto à saída traseira do Colégio de Lamas. Os artistas juntam-se aos pares, trios ou mesmo em matilhas e é tudo deles!

Por isso "paisinhos" ganhem juízo, porque sorte como a que um teve hoje, pode não ter amanhã!

Nota:
"Peço a quem ler isto, mesmo que não se sinta tocado , que passe a mensagem, porque o assunto é sério e é inevitável que qualquer dia a tragédia bata à porta de alguém."

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Passagem de nível Riomaior-Regadas

terça-feira, 9 de dezembro de 2008



A passagem de nível de Riomaior-Regadas é uma das que a Refer pretende suprimir quando implementar o plano de requalificação das passagens de nível da Linha do Vouga.

Antes de mais convém situar geograficamente a passagem de nível para que não se dê aso a equívocos.

A passagem de nível situa-se em Paços de Brandão, na rua de Riomaior-Regadas, esta passagem de nível é cruzada pela única estrada de ligação directa entre as freguesias de Paços de Brandão e Mozelos.

A passagem de nível sempre ali existiu, servia essencialmente de caminho de acesso a campos de cultivo, até que foi rasgada uma estrada que ligou o lugar das Regadas (Mozelos) a Riomaior (Paços de Brandão), cuja rua posteriormente, se convencionou designar por Riomaior-Regadas.

Os terrenos entretanto foram urbanizados e foram sendo construídas habitações, o lugar sempre foi pacato e sem grande movimento, até que a Câmara Municipal lá resolveu instalar um parque de habitação social, há cerca de 8 anos.

A supressão da passagem de nível, obrigará a que sejam feitos caminhos alternativos de acesso a passagens automatizadas, no caso concreto desta passagem de nível não é fácil perceber porque razão se irá construir um caminho com cerca de 400 metros, paralelo à linha do comboio e que irá desembocar onde actualmente se situa a passagem de nível com guarda da Rainha, que entretanto será automatizada.

A pergunta que se impõe fazer:

Não seria mais lógico automatizar a passagem de nível, do que construir um caminho alternativo, que irá ficar muito mais caro? (presumo eu, já que não faço a mínima ideia do custo da instalação de um sistema automático, agora o que sei é que será preciso expropriar terrenos e fazer um troço de estrada com todas as infraestruturas associadas.)

Antes de mais importa perceber que critérios estão definidos para a REFER classificar as passagens de nível e o seu grau de periculosidade.

Para tal teremos que nos apoiar mais uma vez no decº-Lei 568/99 de 23 de Dezembro, que é o suporte legal do acordo existente entre a REFER e os municípios da linha do Vouga para a requalificação (supressão, automatização e desnivelamento) das passagens de nível.

Posto isto, é importante perceber que a REFER não suprime ou automatiza passagens de nível de forma aleatória ou porque assim o entende, fá-lo apoiada em critérios bem definidos e de acordo com o regulamento de passagens de nível.

O presidente da junta de freguesia de Paços de Brandão, que curiosamente nunca mostrou grande sensibilidade pelas pessoas que iam morrendo, em consequência da falta de segurança das passagens de nível na sua freguesia, aparece agora como um guerreiro tenaz na cruzada contra a supressão da passagem de nível de Riomaior-Regadas.

O mais estranho é que actualmente a passagem continua sem qualquer segurança e isso não preocupa este senhor, preocupa-o sim o seu encerramento, nem que isso possa evitar mortos ou feridos, este homem vai na senda daqueles que "sempre que falam não acertam uma!"

O regulamento das passagens de nível é bem claro:

As passagens de nível constituem uma das componentes mais perturbadoras do sistema de exploração ferroviária, logo, sempre que possível os atravessamentos de nível devem ser suprimidos, aliás, actualmente é proibido construir infraestruturas rodoviárias com atravessamentos ao nível da ferrovia.

Vou citar do regulamento das passagens de nível, o artigo 4º que se prende com a supressão de passagens de nível, no número 2 do artigo 4º, diz o seguinte:

"Existindo ou sendo viável o estabelecimento de caminhos de ligação, as PN públicas situadas até 700m de outras PN, ou passagens desniveladas devem ser suprimidas pela entidade gestora da infraestrutura ferroviária(...)". O volume actual de tráfego e aquele que se pode projectar para o médio prazo (5 anos) dificilmente, justificará a manutenção desta passagem de nível.

Portanto qualquer tentativa de contestação ao plano de supressão da passagem de nível de Riomaior-Regadas, tem que estar devidamente fundamentada em termos de critérios e não dizer de forma empírica que a estrada tem um elevado volume de tráfego ou pior ainda, dizer que 4 casas vão ficar isoladas de Paços de Brandão ou então que naquela passagem nunca se registaram acidentes graves. Como se a integridade física das pessoas não fosse mais importante do que o incómodo de se deslocar 400 metros para atravessar em segurança.

Para contestar as intenções da REFER exigia-se que o senhor presidente da junta o tivesse feito antes da assinatura do protocolo e não agora, tanto mais que segundo o mesmo, a junta de Paços de Brandão só por uma vez se sentou à mesa das negociações, porque a REFER tinha um comportamento absolutista.

Mais curioso foi nenhuma outra freguesia se ter mostrado insatisfeita, com a REFER, isto talvez signifique alguma coisa...

Resumindo, esta atitude do edil Brandoense não passa de pura irresponsabilidade e demagogia política, condimentada com algum histerismo hipócrita (ao ponto de ter captado a simpatia do presidente da junta de freguesia de Mozelos), como se alguma vez a junta de freguesia de Paços de Brandão se tivesse preocupado com os cidadãos que ali vivem, ou com a sua segurança.

Só lá aparecem de mão esticada, por altura das eleições, porque durante 4 anos mais não fazem que cruzar o braço direito por baixo do braço esquerdo.

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Avaliação de mérito e desempenho para os deputados


Numa altura em que muito se fala de avaliação, de mérito e de desempenho, para quando um sistema de avaliação de mérito e desempenho aos deputados da nossa nação?

O vergonhoso exemplo dos 30 deputados do PSD, que faltaram ao plenário da Assembleia da República na passada sexta-feira, não é caso único.

Parece que ainda estou a ouvir o Mota Amaral, então Presidente da Assembleia da República, a censurar a debandada de deputados para Sevilha, quando o F.C.Porto foi à final da taça UEFA...

Casta de hipócritas! Onde andava o Mota Amaral na sexta-feira?

Tudo isto é tanto mais grave, quanto é verdade que na sexta-feira ia ser votada a suspensão do modelo de avaliação dos professores, um assunto do maior relevo e importância para o país no momento actual.

É esta corja de deputados presunçosos, altamente remunerados que temos a servir nobremente os destinos da nação?

A bem da moralização do cargo de deputado, talvez não fosse má ideia, instituir um modelo de avaliação ao mérito e desempenho dos deputados, que tivesse reflexos directos no seu vencimento e na sua reforma.

O pior, é que os eleitores estão manietados durante 4 anos. Depois de eleitos, estes vermes gozam de um estatuto, que lhes permite fazer tudo o que lhes der na real gana, sem terem que prestar contas a ninguém.


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Ricardo Araújo Pereira - Boca do Inferno


Não chames estagnação à estagnação

Tenho seguido atentamente a actualidade económica e estou em condições de avançar com uma informação que me parece relevante: a economia portuguesa está estagnada em todo o lado menos na agência Lusa. Não sei que microclima económico se vive na redacção da agência de notícias, mas o certo é que, a fazer fé nos jornais (prática que, no entanto, não recomendo), os seus jornalistas foram proibidos de usar a palavra «estagnação» para descrever o que parece claramente ser uma estagnação. Para todos os que se queixam de falta de imaginação no jornalismo, a medida tem algum interesse. Parece um exercício de escrita criativa: descreva a estagnação económica actual sem recorrer às palavras «estagnação» e «económica». O que se perde em rigor, ganha-se em fantasia.

Como sempre que alguém impõe uma proibição sobre o discurso dos outros, levantaram-se imediatamente vozes que, por tolice ou maldade, bradam, à primeira oportunidade «censura!» Trata-se, evidentemente, de uma conclusão precipitada. Proibir alguém de dizer determinada palavra não é necessariamente um acto de censura. Pode ser uma tentativa, aliás bastante nobre, de zelar pela urbanidade do trato. Por exemplo: «Não se diz estagnação, que é feio.» Quem sabe se, na evolução do latim «stagnare» para o português «estagnar», a palavra não sofreu um metaplasmo qualquer que a torna obscena? Por detrás da proibição imposta aos jornalistas da Lusa pode estar um subtil linguista que encontrou estragação na estagnação.

Outra hipótese: superstição. Como no caso daquelas pessoas que receiam dizer o nome de certa doença, também aqui pode haver o medo de que, se falarmos em estagnação, ela nos apareça – logo a nós, que estamos tão longe dela. Seria azar, convenhamos.

Há ainda outra possibilidade. Hoje em dia, toda a actividade económica parece decorrer num ambiente de ignorância. Greenspan não sabia que estava a preparar uma crise de dimensões históricas. O Banco de Portugal não sabia que as contas do BPN não batiam certo. Os administradores do BPN não sabiam nada. Eu próprio desconheço, por completo, o que se passa nos bancos portugueses e, à primeira vista, todos os seus gestores me parecem pessoas de bem. É possível, por isso, que eu seja administrador de um banco sem que o saiba. Tenho o perfil e a doce inconsciência que o cargo, aparentemente, exige. Solicitaria apenas ao banco que estou a administrar sem o saber que me enviasse os lucros, se os houvesse, ou o dinheiro proveniente da ajuda do Estado, caso tivéssemos tido a sorte de falir. Em todo o caso, a palavra-chave é «desconhecimento». Quanto menos se chamar «estagnação» à estagnação, menos perceberemos o que se passa. E essa, pelos vistos, é a maneira correcta de estar na economia.


Fonte : Visão

PUBLICAÇÃO : O COMENDADOR


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